Pelas minhas contas, acho que tive 8 grandes mudanças na minha vida (até que não foram tantas assim) mas acho que mudança de verdade, eu só tive uma, e foi quando caí de paraquedas naquilo que alguns insistem em chamar de realidade.

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Há cerca de 6 anos, eu vivo fazendo minhas malas pra lá e pra cá. Até parei em alguns lugares, claro, morei, trabalhei, me apeguei, mas há 6 bons anos eu me recuso a comprar um armário, que seria um baita desperdício de dinheiro já que eu vou acabar guardando tudo em malas outra vez. Isso me faz refletir bastante sobre tudo que eu tenho, o que eu sonho e tudo aquilo que eu realmente preciso pra ser feliz: boas pessoas ao meu redor.

Eu tenho sorte de ter amigos e familiares de todos os tipos. Tenho aqueles pra toda hora, aqueles parceiros, aqueles que vivem dando os canos, aqueles que me surpreendem, aqueles que se abrem demais e os que se abrem de menos, aqueles que não têm nada a ver comigo e os que nem imaginam a importância que têm na minha vida… e tenho esses meus amigos de estrada com os quais tenho as mais profundas conversas sem nem saber o nome e que já fizeram mais por mim do que talvez um velho amigo de infância faria.

“Mas quando é que eu vou parar quieta?”

Ah, sim! Daí vem aqueles (muitos deles) que me perguntam o tempo todo “quando é que você vai parar quieta?“; e são os mesmos que eu, ironicamente, respondo com outra pergunta: E por que eu deveria?

A resposta pra isso seria um tanto óbvia, se alguém tivesse coragem de falar em voz alta: Eu deveria parar quieta simplesmente porque a sociedade quer que eu pare. Eu deveria estar comprometida, deveria estar pensando na fortuna que vou gastar com a decoração da minha casa e minha linda festa de casamento pra aquele mundo de gente que eu mal lembro o nome e que está preparado pra botar defeito na comida, na música, na decoração, na mesa de doces, na falta de bebidas ou no excesso delas. Eu deveria pensar no último regime milagroso das famosas ao invés de pensar em culinárias exóticas, deveria pesquisar sobre o carro do ano ao invés de promoções aéreas pra qualquer lugar. Eu deveria vestir as roupas da moda e saber sobre as próximas tendências ao invés de querer conhecer outras culturas e idiomas. Eu deveria pensar em juntar rios de dinheiro antes de pensar em viver e deveria estar feliz da vida trancada em um escritório careta que controla minha impressão digital 9 horas por dia mesmo que eu não tenha porcaria alguma pra fazer e que não me deixa nem ter uma crise de enxaqueca em paz. EU DEVERIA! Tudo exatamente como deveria ser porque alguém (sabe-se lá quem) disse que é assim que tem que ser. Eu deveria ser mais responsável, mais apegada, deveria criar raízes – uma pausa especial para “criar raízes” – o que isso significa?

As minhas raízes estão onde as pessoas que eu amo estão. A minha sorte é amar pessoas de todas as partes do mundo.

Sim, eu amo. Com amor. Com todo o poder dessa palavrinha superestimada que um dia nos ensinaram que deveria ser sentida somente por pouquíssimas pessoas na vida. Aqui estamos de novo: DEVERIA! Eu posso amar pessoas, animais, objetos, lugares, lembranças, ideias; algumas mais que outras, sem dúvida, mas quando você se dá conta de que sente amor por quase tudo, cada momento passa a ser muito mais especial e o desconhecido está há uma conversa de distância de se tornar íntimo. Conforto e riqueza dependem meramente de um ponto de vista.

Há alguns anos atrás eu dei o primeiro passo para essa vida porque acreditei que eu poderia mudar o mundo, mas foi ele que me mudou. Eu olho pra trás, naquele tempo em que eu achava que ficar longe da minha zona de conforto seria só mais uma experiência divertida, e vejo quanto eu mudei, quanto aprendi a aceitar diferenças, culturas e pessoas… entendo até os motivos de um casamento arranjado por anúncios no jornal, aceito que algumas pessoas tomam sopa de placenta humana enquanto outras não matam nem um pernilongo e não descansam em outro lugar que não seja o chão pois acreditam que o destino quis assim. Hoje eu compreendo muitas coisas e tenho uma infinidade delas pra aprender, mas, ainda assim, eu me pergunto todo santo dia se vou conseguir me conformar com as diferenças que me cercam de fato.

E assim eu sigo, sem pensar em planos, só em sonhos. Amando novas pessoas e novos lugares a cada dia e desejando uma vida mais livre e mais leve à todos nós.

E você? Já decidiu qual vida deveria ter?