Cambará do Sul, também conhecida como Terra dos Cânions, é um lugarzinho especial, daqueles que mexem com o coração da pessoa.

Mexeu com o meu em 2005, quando visitei a região pela primeira vez acompanhando meu pai, que foi fotógrafo de natureza. Ele vivia dizendo “Viiiiiitor, é uma dos lugares mais bonitos do Brasil!”. E devo admitir: o coroa tinha razão.

Como chegar

O acesso é feito de carro, Cambará do Sul fica a 210 km de Porto Alegre e a estrada, passando por São Francisco de Paula e Tainhas, é toda asfaltada e leva aproximadamente 3:30h. De Gramado a Cambará, são 2h de estrada. Quem vem de Florianópolis, são 330 km e a melhor opção é descer pelo litoral e subir a serra por Praia Grande (aproximadamente 5h de estrada).

cambara do sul roteiro

Portal de Cambará do Sul

Terra dos Cânions

Cambará do Sull é o paraíso do bicho-do-mato. Mesmo com um potencial impressionante para o ecoturismo e o turismo de aventura, a região ainda oferece aquele ar rural e uma estrutura turística bastante reduzida e familiar. Perfeito para esquecer dos problemas em uma cabana de madeira com fogão à lenha!

Toda a parte alta da serra é conhecida como ‘Campos de Cima da Serra’, que descreve bem a paisagem, marcada por florestas de araucária, plantações de pinheiro, madeireiras e fazendas de criação de gado e ovelha. Na beirada da serra estão os cânions, com paisagens impressionantes de Mata Atlântica e despenhadeiros vertiginosos de mais de 1km de altura.

A pequena cidade, de aproximadamente 7 mil habitantes é o ponto de partida para o Parque Nacional de Aparados da Serra (Cânion Itaimbezinho) e ao Parque Nacional da Serra Geral (Cânion Fortaleza). O Cânion Malacara começou a receber visitações recentemente, mas não tivemos tempo de conhecer.

No Cânion do Itaimbezinho são duas trilhas na parte alta, que podem ser feitas no mesmo dia e de fácil acesso para todos: a Trilha do Vértice e a Trilha do Cotovelo. Para os mais aventureiros, a Trilha do Rio do Boi, que começa por baixo da serra e adentra o cânion, é imperdível e leva um dia inteiro.

No Cânion Fortaleza as trilhas são todas na parte alta. De fácil acesso: Trilha do Mirante e Trilha da Pedra do Segredo. Para os mais aventureiros, recomendo a Trilha da Borda Sul, que dura um dia inteiro e também passa pelas trilhas mais fáceis (Mirante e Pedra do Segredo).

Trilha do Cotovelo no Cânion do Itaimbezinho (Dia 1)

Saímos de Gramado na hora do almoço pela estrada RS-235 até São Francisco de Paula e depois a RS-020 até Cambará do Sul. O tempo estava firme e o céu azul, coisa rara tendo em vista os famosos nevoeiros, então resolvemos deixar o check-in no hotel para o final do dia e tocamos direto para o Cânion do Itaimbezinho.

A estrada de terra (em relativo bom estado) que dá acesso ao Parque Nacional de Aparados da Serra começa no centro de Cambará do Sul e dura aproxidamente 20-30 mins (19km). O parque tem estacionamento e, embora o site do ICMBio diga que tem que pagar, a entrada não tem sido cobrada. Estacionamos às 15h e começamos a pensar em qual trilha fazer.

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Trilha do Cotovelo, Cânion do Itaimbezinho

Na nossa frente uma placa dizia “Trilha do Cotovelo, horário limite de início: 15h”. Pronto, problema resolvido, seria o Cotovelo. A trilha é fácil e plana. Até o último mirante são 3km, portanto um total de 6km com ida e volta. Os mirantes começam a aparecer apenas no último km. Os 2 primeiros km são em trilha de estrada dentro da floresta.

O parque abre das 8 às 17h, ou às 18h com horário de verão, o que era nosso caso. Com 3 horas, tivemos tempo de sobra para curtir a trilha e os lindos visuais. O cânion não é o mais alto nem o mais longo da região, mas leva toda a fama devido à sua formação única. As paredes são as mais verticais e os abismos chegam a 700m de altura. Beleza pura!

De volta à Cambará do Sul, fizemos check-in em nossa cabana de madeira na Pousada Bela Vista e fomos jantar no centro, no Restaurante Regina, simples e honesto. De volta à pousada e no frio da noite, acendemos nosso forno à lenha, ligamos a manta térmica da cama e dormimos no quentinho.

Trilha do Vértice no Cânion do Itaimbezinho (Dia 2)

Ao contrário do dia anterior, a quarta-feira amanheceu nublada e bastante chuvosa. Aquele tempo perfeito para não fazer nada. Ligamos novamente o fogão à lenha e passamos a manhã inteira descansando e baixando as fotos da câmera para o laptop. Às 14h a chuva parou e finalmente conseguimos nos mexer.

Ansiosos para chegar no parque, compramos um Xis no centro de Cambará do Sul (aquele famoso hambúrguer na chapa típico do Rio Grande do Sul). O negócio era enorme! Comemos metade e guardamos a outra metade para depois. De volta ao Parque Nacional de Aparados da Serra passamos pelo Centro de Visitantes, onde começa a Trilha do Vértice.

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Araucárias na Trilha do Vértice, Cânion do Itaimbezinho

A Trilha do Vértice é plana e leve. Tem 1,5km de extensão, portanto 3km com ida e volta. Os mirantes com vista para a Cachoeira das Andorinhas e Cachoeira Véu da Noiva são lindos e o vértice marca o começo (ou o fundo) do cânion. O tempo ficou nublado, com raros chuviscos, então não esqueça sua capa de chuva!

Borda Sul do Cânion Fortaleza (Dia 3)

Conforme combinado com a operadora Genaro Turismo, nosso guia Bruno chegou na Pousada Bela Vista para nos buscar às 9h da manhã. Fomos de carro para o Parque Nacional da Serra Geral e chegamos no estacionamento do Cânion Fortaleza em 40 mins (22km desde o centro de Cambará).

A Trilha do Mirante não faz necessariamente parte da Trilha da Borda Sul, mas como ambas começam no estacionamento do parque, vale a pena conhecer tudo no mesmo dia. A subida até o topo do morro tem 1,5km (3km ida e volta) e de lá se vê 95% do Cânion Fortaleza. É também o ponto mais alto visitável, com um despenhadeiro impressionante de mais de 1km de altura.

De volta ao estacionamento, começamos a Trilha da Borda Sul. Além dos 3km já percorridos, agora tínhamos mais 9km pela frente. A trilha é longa mas a caminhada é plana e agradável, percorrendo a borda do cânion com inúmeros mirantes e visuais impressionantes. Fazendo a trilha com calma, chegamos na Cachoeira do Tigre Preto às 14:30h.

A chegada na cachoeira pela Borda Sul oferece um visual exclusivo e frontal da enorme queda d’água, que não se vê da trilha da Pedra do Segredo, e foi ali que lanchamos. Com as energias renovadas, começamos então a parte final da trilha.

A passagem por cima da Cachoeira do Tigre Preto, onde se atravessa o Arroio do Segredo, é um espetáculo. A Pedra do Segredo fica um pouco depois e ela em si não é nada demais, mas os visuais pelo caminho certamente valem a pena! De lá, voltamos pela trilha até a estrada e às 17h terminamos o passeio no estacionamento.

O dia começou nublado então levamos capa de chuva e esquecemos do protetor solar, mas abriu um mormaço e fez bastante calor. Lição aprendida: leve sempre capa de chuva E protetor solar, o tempo pode mudar a qualquer hora.

Trilha do Rio do Boi (Dia 4)

Saindo de Cambará do Sul às 9h, descemos a serra até Praia Grande e estacionamos às 10:30h na entrada “de baixo” do Parque Nacional de Aparados da Serra. A estrada é quase toda de terra e não está em ótimas condições, mas com tempo bom dá pra fazer com qualquer carro.

Aliás, com previsão de chuva o passeio não acontece, já que o rio enche muito rápido, com perigosas trombas d’água. Ainda bem que estava sol. No estacionamento, nosso guia Eduan (mais uma ótima surpresa da Genaro Turismo) nos deu caneleiras para evitar picadas de cobra. Sem discutir, vestimos as caneleiras.

Embora o horário limite para início da trilha seja 13h, recomenda-se começar bem antes disso. São aprox. 13km de caminhada no total (6,5km para ir e o mesmo para voltar). A primeira meia hora é de aproximação por dentro da floresta até o rio. Depois a trilha varia entre caminhada sobre pedras e cruzar o rio com água até o joelho 10 vezes. Isso mesmo, 10 vezes na ida, 10 vezes na volta!

Leve um tênis que possa molhar e, se estiver calor, há alguns poços para banhos refrescantes no caminho. O passeio é uma delícia e caminhar por dentro dos paredões de Mata Atlântica do Cânion do Itaimbezinho é surreal. Sem dúvida merece estar em qualquer lista de Melhores Trilhas do Brasil.

De volta à Cambará do Sul, planejamos como recompensa o restaurante mais recomendado da cidade: O Casarão. O preço é fixo, o buffet é liberado e as saladas orgânicas são maravilhosas. Optamos pelo galeto, especialidade da casa. Por 50 reais por pessoa, incluindo sobremesa, comemos até a barriga doer, e fomos dormir exaustos porém muito felizes.

São José dos Ausentes e Cânion Montenegro

Dia de ir embora de Cambará do Sul bate até uma depressão, mas como o próximo destino seria a Serra Catarinense, conseguimos sair felizes. Antes de partir, no entanto, fomos conhecer o Sabores da Querência, famoso por suas premiadas geléias orgânicas. A propriedade fica na estrada para o Cânion do Itaimbezinho.

Depois de uma conversa gostosa com os proprietários e uma degustação de geléias, seguimos viagem levando 4 potes de sabores variados (aprox. 20 reais cada). A estrada de terra RS-020 é uma atração à parte e estava em ótimas condições. A caminho de São José dos Ausentes um veado cruzou a estrada na nossa frente, um presente da natureza.

Paramos para almoçar um rodízio de trutas e bebemos um suco de uva maravilhoso (tudo fresco, as trutas criadas e os sucos produzidos no local) no Sítio Vale das Trutas. Aproveitamos para fazer uma caminhada digestiva até a Cascata Juvenal, uma bela cachoeira com acesso pela propriedade.

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Sítio Vale das Trutas em São José dos Ausentes

Seguimos pela RS-020 e, na altura do Desnível dos Rios e Cachoeirão dos Rodrigues (que não tivemos tempo de conhecer) e pegamos um desvio para a direita que levava ao Cânion Montenegro. O Pico do Montenegro, um pequeno morro na beira do cânion, é o ponto mais alto do Rio Grande do Sul, com 1403m de altitude.

É possível chegar de carro bem perto do cânion, faltando apenas uma caminhada de 15 minutos até a borda. O tempo estava aberto e visual estava especial. Passamos a tarde caminhando sem rumo e na volta para o carro, mais um presente da natureza: outro veado atravessou a trilha bem na nossa frente.

De cabeça feita, seguimos viagem até Bom Jardim da Serra em Santa Catarina, finalmente deixando, já com saudades, o Rio Grande do Sul. Optamos pela estrada mais curta “por dentro”, que estava em boas condições e nos levou até nosso destino em uma hora e meia.

Onde ficar em Cambará do Sul?

Pousada Bela Vista (aprox. R$ 200,00 a diária de casal)

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Pousada Cafundó

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Bolicho Guabiroba

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Refúgio da Floresta 

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Pousada Serra Geral

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Pousada Recanto das Gralhas 

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Onde comer em Cambará do Sul?

  • Galeteria O Casarão / (aberto todos os dias de 11:30-15:30h e 19-21h, fechado às segundas)
  • Du Perau Gastro Pub, no centro de Cambará do Sul (aberto todos os dias de 15-00h)
  • Sítio Vale das Trutas, no caminho para São José dos Ausentes

Atrações em Cambará do Sul:

  • Parque Nacional de Aparados da Serra / Cânion do Itaimbezinho (aberto todos os dias de 8-17h, fechado às segundas)
  • Parque Nacional da Serra Geral / Cânion Fortaleza (aberto todos os dias de 8-17h)
  • Cânion Montenegro em São José dos Ausentes (aberto todos os dias)

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Sobre o autor: 

Vitor Marigo é carioca, fotógrafo profissional, formado em publicidade e co-criador da empresa de turismo RioXtreme. Seu gosto por aventuras começou cedo, acostumado a acompanhar seu pai, um importante fotógrafo de natureza, em viagens Brasil e mundo afora. Hoje, contribuiu frequentemente para importantes exposições e publicações, e sua paixão é documentar as infinitas belezas naturais do nosso país.

Instagram: @vitormarigo