Eu não sei explicar ao certo como coisas incríveis acontecem e nem sei dizer por que viajar é tão viciante, mas uma coisa é fato: viajando, essas coisas simplesmente acontecem e talvez isso também explique a minha segunda questão.

como ir para a patagonia argentina

De carona para a Patagônia Argentina

Leia Mais:

4 apps de edição que irão deixar suas fotos de viagem incríveis

Tudo que você precisa para enfrentar o medo de viajar sozinha!

O que fazer em Bariloche na Argentina: atrações no Inverno e no Verão

Eu já perdi as contas de quantas vezes escutei que é preciso muita coragem para fazer o que eu faço, mas acho que eu nunca concordei muito com isso, coragem não é bem o necessário mas sim liberdade de espírito. Quando se está aberto e com leveza para receber qualquer coisa que vier, o mundo conspira e nos manda de volta tudo que estamos dispostos a doar!

como ir para a patagonia argentina

De carona para o Ushuaia na Patagônia Argentina

Pra quem não sabe, eu e meu sócio Brian saímos de Curitiba na quinta-feira passada com nossas mochilas nas costas e nada de dinheiro no bolso. Temos nossas fotos para vender ou trocar por comida, os dedões pra cima e, mais importante de tudo, MUITA energia positiva!

Hoje, 5 dias e quase 5 mil quilômetros depois, acabamos de chegar na Patagônia e agora começa a melhor parte da viagem.

como ir para a patagonia argentina

De carona para Ushuaia na Patagônia Argentina

como ir para a patagonia argentina

De carona para o Ushuaia na Patagônia Argentina

Sorte? Loucura? Perigo? Eu sei que muitos acham tudo isso, mas acho um pouco injusto chamar assim pois seria como dizer que não gosta de um sabor sem nunca o ter provado. Em apenas 5 dias, já vivemos experiências que valeriam por uma vida inteira e a velha expressão “há certas coisas que o dinheiro não compra” nunca fez tanto sentido… vamos à alguns detalhes:

Sexta-feira nós pegamos muitas caronas e conseguimos viajar de Passo Fundo até São Borja, a famosa cidade dos presidentes. O último caminhoneiro que nos levou até lá era daqueles paizões que nos deu até um ticket pra banho no posto que ele sugeriu que dormíssemos. O posto era o mais movimentado da região com segurança 24 horas e incontáveis caminhões estacionados prontos pra passar a noite alí e sair cedo pela manhã, assim como nós… Com tanto fluxo, o ambiente era perfeito pra amanhecer com uma ótima carona para o próximo destino, então alí ficamos.

No entanto, tinha um problema: não tínhamos barraca pra acampar e dormir ao relento era pedir para ser carregada por mosquitos… a noite não seria das mais fáceis. Aquele ticket pro banho que ganhamos nem foi utilizado porque o lugar que íamos dormir era tão sujo que não faria a menor diferença com ou sem banho. Às 8 da noite estávamos imundos pedindo pra cozinhar um miojo no restaurante do posto e esperando o fim do expediente dos frentistas, que só acabava à 1 da manhã, pois iríamos dormir na casinha de descanso deles. Todos os funcionários do posto nos receberam da melhor maneira possível, vendemos algumas fotos, ganhamos frutas para o café da manhã e nos ajudaram a ajeitar uns bancos para dormir lá na casinha deles.

Bom… quase meia-noite e já estávamos há algumas horas esperando, quando recebemos mensagem de uma pessoa dizendo que nos acompanhava no Instagram, era de São Borja e que daria uma jeito de nos buscar no posto.

“Mas como assim? Que pessoa? É uma menina?”

Essas perguntas só duraram o tempo de correr, pegar nossas mochilas na salinha e ir pra loja de conveniências esperar. Em poucos minutos, desce de um carro  o sorriso mais acolhedor que poderíamos esperar e vem logo se apresentando: “eu sou a Larissa e essa é minha mãe Dona Aparecida, que prazer conhecer vocês!“. Entramos no carro, demos uma voltinha por São Borja e fomos pra linda casa da família, onde Seu Gladimir, o pai da Larissa, nos esperava de sorriso aberto com uma baita cama pra dormirmos, toalhas cheirosas, banho quentinho e muito carinho. Ahh, e como se não bastasse, ainda ganhamos uma barraca novinha e uma pulseira de olho de tigre pra nossa proteção dalí pra frente.

como ir para a patagonia argentina

Sendo recebidos em São Borja

como ir para a patagonia argentina

Ótima recepção em São Borja

Claro que nossa ideia de sair cedinho para o próximo destino mudou, afinal, viajar sem planejamento é estar aberto para novas experiências o tempo todo. Acordamos com um caloroso “bom dia, já tem café na mesa!“, nos deliciamos com um café da manhã digno de hotel 5 estrelas, fomos passear na fazenda da família e nos despedimos com os melhores desejos de um bom caminho em um almoço daqueles de tirar a barriga da miséria por um bom tempo.

como ir para a patagonia

Cafê da manhã 5 estrelas no caminho pra Ushuaia

como ir para a patagonia argentina

A família da Larissa que nos recebeu em São Borja

Talvez a família da Larissa não tenha feito nada demais, mas eles confirmaram aquilo que nos trouxe até aqui: você pode fazer o que esperam que você faça, ou pode simplesmente fazer diferente.

Viajar sem dinheiro está sendo desafiador em muitos níveis, mas por outro lado está me devolvendo a esperança de um mundo mais generoso e sem preconceitos. Como diria Amyr Klink, “é preciso conhecer o frio para desfrutar o calor, e o oposto.” São pequenos gestos que fazem toda diferença em uma viagem como esta e eu com certeza carregarei isso com meus valores para a vida inteira desejando um caminho mais livre pra todos nós!