Dia 8 de Janeiro, se comemora o dia dos fotógrafos aqui no Brasil e, além de bebemorar, achei uma boa oportunidade pra responder uma das perguntas que mais escuto: qual é o melhor equipamento?

Cidade proibida em Pequim China

Cidade Proibida, Pequim – China

Muita gente me escreve pedindo dicas de fotografia e perguntando qual equipamento eu uso, o que indico e coisas do tipo. Também muita gente escreve elogiando minha câmera e alguns ainda perguntam qual é “essa câmera que faz milagres“. A verdade é que meus equipamentos não possuem nada de milagroso, eu não tenho nada que você também não tenha em mãos e foi assim que eu comecei, portanto, decidi fazer um post sobre isso.

Vamos começar por uma pergunta simples: quando você prova uma comida que gostou muito, você elogia quem? O cozinheiro ou a panela?! AHá!

A analogia pode até ser engraçada, mas esse foi o melhor exemplo que encontrei pra tentar mostrar que não adianta tentar encontrar o melhor equipamento pra você sem antes desenvolver o mais importante de tudo: seu olhar. O melhor equipamento é aquele que você tem, é aquele que teve a sorte de estar nas suas mãos no momento daquele registro. O momento, esse sim, tem que ser o momento certo, a composição adequada, a combinação ideal, o equipamento só vai te ajudar a tornar tudo isso eterno.

Heaven Lake em Changbaishan na fronteira com China e Coréia do Norte

Para não parecer hipocrisia, vamos aos detalhes! A maioria das fotos que vocês acompanham por aqui foram tomadas com câmeras semi-profissionais, que provavelmente conseguem fazer tudo o que a sua câmera também conseguiria. Equipamentos fotográficos são importantes mas também são custosos e, como vocês podem ver bem por aqui, eu prefiro investir mais dinheiro na estrada do que nas técnicas, ao menos por ora.

Pra mim, tudo na fotografia é uma questão simples de identificação, desde o modelo da câmera que você usa, até o estilo fotográfico que você vai seguir. É indiferente dizermos que o modelo X ou Y é melhor por qualquer motivo que seja quando o importante mesmo é sentir o equipamento, se identificar com as configurações, com as cores, com o peso, com as lentes e com a forma que aquele seu terceiro olho vai te ajudar a captar o jeito que você enxerga o mundo.

Taj Mahal com dupla exposição

Acredito que toda minha paixão pela fotografia e minha vontade de me tornar uma fotógrafa profissional se desenvolveu e cresceu durante uma série de viagens, através da beleza e espontaneidade vivenciada nas ruas do mundo afora. O clichê de se falar que viagens abrem a cabeça de uma pessoa para sempre me fez analisar sobre o real motivo que isso acontece. Quando se está longe de nossa zona de conforto e em situações extremas, é natural que nossos princípios e valores se transformem e, então, passamos a enxergar beleza onde não víamos antes. Isso torna o mundo mais belo e mais simples,  as ruas se tornam um lugar mais agradável, o abismo entre diferenças culturais e sociais começa a diminuir e este sentimento de mudança começa a transparecer de alguma forma. No meu caso, foi com a fotografia.

Fotografia é uma forma de comunicação, é um idioma que não precisa de traduções e, como qualquer idioma, não há forma melhor de aprender se não praticando.

Um feliz dia para todos nós!