Comecei 2015 com a promessa de planejar a viagem que não consegui fazer no ano passado. Após algumas negociações, estava tudo acertado: férias marcadas para novembro – coincidindo com as de uma amiga – e roteiro definido! Budapeste, Praga e Viena pareciam mais perto do que nunca… mas, só parecia! Não demorou muito e o real começou a se desvalorizar, o dólar e o euro registraram valores recordes e a Europa ia ficando cada vez mais longe da realidade. Principalmente depois que minha companheira de viagem oficializou que não conseguiria viajar em tempos de crise. Eu, que nunca fui nem ao cinema sozinha, não poderia sequer imaginar a possibilidade de encarar uma Eurotrip sem uma companhia.

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O problema é que, quando você não é um mochileiro profissional nem faz de cada viagem um trabalho, as oportunidades para uma trip assim são poucas e você começa a repensar seus medos e para de criar desculpas para transformar um roteiro em realidade. Conversando com um amigo, ele me propôs um desafio: ir ao cinema sozinha e ver que minha companhia pode ser a mais agradável de todas – tanto para um filme, quanto para desbravar o mundo.

O cineminha desacompanhada não rolou, mas a viagem está a um portão de embarque de distância. Levei em consideração diferentes fatores! Primeiro: sonhava com a Europa há anos. Segundo: bem ou mal eu tinha me programado financeiramente para isso – mesmo que com outra taxa de câmbio. Terceiro: se é difícil conciliar nossa agenda com a dos amigos para tomar um chopp depois do trabalho, o que dirá para planejar as férias. Foi aí que encarei o frio na barriga, o medo e a ansiedade e decidi me organizar para viajar sozinha em tempos de crise.

Comecei então a pensar em formas de economizar e foquei nos dois itens que mais pesam no orçamento (hospedagem e passagem). A primeira providência foi mudar o roteiro; ao invés do trio República Tcheca, Áustria e Hungria, optei por Irlanda, França e Portugal. Ainda que o Leste Europeu seja mais barato do que os tradicionais destinos do Velho Continente, o novo trajeto me permitiu economizar com hostels ou qualquer opção paga de alojamento. Com amigos em Dublin e Paris, e família em Lisboa, comecei a ver a possibilidade de ficar na casa deles e acabei montando uma viagem em que não gastaria nem um euro com esse item.

Depois foi a vez de baratear os custos com passagem. Pesquisei em diferentes companhias aéreas diversas combinações para chegada e saída e percebi que não seria viável comprar os trechos de ida e volta mais os internos – com deslocamentos grandes entre um país e outro, optei por me locomover de avião pela Europa para ganhar tempo. Apelei então para o mais tradicional dos benefícios de viagem: as milhas. Com o programa de vantagem, consegui tirar o trecho de volta com pontos e, o melhor de tudo, chegar por Dublin e voltar por Lisboa – economizando a passagem de um terceiro voo dentro da Europa para retornar ao primeiro país e embarcar de volta.

Para os trechos internos, acompanhei por alguns dias os preços de várias companhias aéreas por sites como o Hotwire, o Expedia e o Edreams. As companhias low cost ofereciam tarifas bastante atrativas, mas é preciso ter atenção à franquia de bagagem. Os valores praticados por essas aéreas limitam o peso e a quantidade de malas, o que difere – e muito – do permitido no primeiro voo internacional, saindo do Brasil. Por isso, é preciso verificar com calma as condições detalhadas no site para o quesito bagagem. Dependendo da companhia, você pode comprar quilos extras junto com a passagem, o que é muito mais barato do que pagar excesso de bagagem ao embarcar.

No trajeto Dublin x Paris escolhi a irlandesa Aer Lingus, que me permite uma única mala de até 15 quilos mais uma mala de mão. Sabendo que passaria desse peso – roupas de frio para o inverno europeu não são leves -, adicionei 10 quilos por 10 euros. No site da companhia, você consegue consultar o preço do bilhete na moeda local com o câmbio do dia e a empresa dá a opção de debitar o valor já em real no cartão. As operadoras brasileiras de cartão de crédito, no entanto, não permitem que compras em sites internacionais cobrem em real. Portanto, você precisará concluir o pagamento em euro mesmo.

Para o segundo deslocamento (Paris x Lisboa), não encontrei nenhuma companhia com uma franquia que se adequasse às minhas condições ou que me possibilitasse comprar quilos extras. Precisei, portanto, consultar as áreas maiores. Fechei com a TAP, que permite despachar uma mala de até 23 quilos mais uma mala de mão. Como comprei pelo site da TAP Brasil, consegui dividir o valor da passagem em suaves prestações no cartão de crédito.

malas da europa

O último quesito da lista despesas era a compra dos euros. Definitivamente, esse foi o item que mais pesou no orçamento. A moeda da União Europeia chegou a bater R$ 4,90 enquanto eu planejava a viagem. Fiquei acompanhando e juntando meu dinheirinho. Quando a cotação finalmente baixou para R$ 4,50 comprei a primeira remessa de euros. Depois que defini o valor que gostaria de levar, optei por trocar real por euro em três ocasiões diferentes para garantir taxas diferentes. É uma espécie de roleta russa, pois da mesma forma que o câmbio pode variar para menos, também pode subir consideravelmente de um dia para o outro. Acabei dando sorte (se é que pode-se dizer que o euro a mais de R$ 4 é sorte!), pois paguei R$ 4,50 na primeira leva, R$ 4,45 na segunda e R$ 4,32 na terceira.

Ainda não encarei a missão de ir ao cinema sozinha, mas aqui estou eu no embarque do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, pronta para enfrentar algo muito maior: embarcar rumo à Europa… mesmo em tempos de crise e sem companhia!