Da Redação

A internet mobilizou-se nesta semana em diversos ‘memes’ e respostas a uma polêmica publicação da Revista Veja . O texto traça o perfil da esposa do vice-presidente Michel Temer de modo machista. O artigo afirma que Temer é “um homem de sorte” pelo modo de ser da esposa: “Bela, Recatada e do Lar”, descrição que deu título à matéria. A repercussão foi tanta, que o assunto virou até Trending Topics no Twitter.

O Mochilando acredita que qualquer pessoa é livre para escolher o caminho que a torne realizada. Isso é ser uma mulher ou homem de sorte no século XXI. Sorte é ter a liberdade de tomar suas escolhas: seja curtir o conforto do lar ou preferir uma noite mal dormida em um avião. Por que não ter a liberdade de optar pelo abraço de familiares ou pelo envolvimento com novas culturas?

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Que sorte a nossa em sermos livres. Seja para decidir viajar só nas férias com a família ou viver de qualquer lugar do mundo. Ninguém há de nos julgar pelas nossas escolhas. Muito menos determinar um padrão do que é aceito – ou não – na sociedade. Nós, viajantes, pertencemos a muitas delas.

Três de nossas viajantes dão o exemplo por aqui. Elas optaram por não serem “Belas, recatadas e do lar” – se planejaram, quebraram barreiras, tomaram coragem e se tornaram “Livres, ousadas e ‘sem lar’.

 

Bela Recatada e Do Lar

 

Por quê? Confira o que as motivou para viver a vida do jeito que ELAS escolheram:

Fernanda Madureira

Bela, recatada e do lar

O que ela escolheu: Dar a volta ao mundo sozinha, buscando crescimento pessoal e espiritual

 Por que não “Bela, Recatada e do lar” e mesmo assim uma mulher de sorte:  

 Não tenho medo de sair por aí com a minha mochila nas costas, medo do que vão achar ou julgar. Tenho certeza que encontrarei mais pessoas boas do que ruins.

Simplesmente acredito que viajar o mundo transforma o ser humano. Acredito que todos tem o direito de ir e vir, independente da cor, religião ou gênero. Sou mulher e sinto que o mundo é pequeno para tudo que quero conhecer e viver.

Com certeza daqui uns anos olharei para trás e terei muitas histórias para contar. Troquei meu endereço fixo, não tenho planos, só estou seguindo meu coração e de braços abertos para esse mundão!”

Patricia Schussel

Patrícia Schussel Gomes

O que ela escolheu:

Viver! Fez a frustração com a rotina de trabalho tradicional e valores da profissão tornarem-se um impulso para viver uma vida llivre onde a felicidade é sua maior prioridade.

Por que não “Bela, Recatada e do lar” e mesmo assim uma mulher de sorte:

Me considero uma mulher de muita sorte sim, mas ao mesmo tempo acho que não deveríamos chamar de sorte aquilo que só depende de nós mesmas.

Algumas pessoas se casam aos 20 anos, eu comecei a viajar nessa idade. Parece que foi ontem, mas já se passaram 10 anos que eu me apaixonei por este estilo de vida e, como o polêmico casal Temer, “a paixão não arrefeceu com o tempo nem com a convulsão econômica que vive o país.”

Eu nunca fui muito de parar quieta em um só lugar, mas há cerca de 2 anos, eu me tornei oficialmente uma “sem lar”, deixando o endereço fixo pra trás. Isso não foi algo que programei, foi acontecendo naturalmente após uma grande frustração com a rotina de trabalho tradicional e os valores da minha profissão. Passei a não me identificar mais num ambiente normal de trabalho, todos os dias eu contava quantas horas do meu dia estavam sendo desperdiçadas por um mísero salário no final do mês e então, decidi viver minha vida como deveria ser: VIVIDA!

Criei meu próprio trabalho com base na minha liberdade, nadei contra a maré, enfrentei (e enfrento) preconceitos diariamente, mas consegui mudar minha rotina radicalmente priorizando sempre minha própria vida. Viajar me trouxe inúmeros aprendizados, mas acho que o maior de todos foi aprender a viver com menos. Dia após dia, percebo que me torno cada vez mais feliz e realizada quando olho pra mim mesma e me vejo leve sem o peso da auto-cobrança que a sociedade nos obrigada a carregar sem questionamentos.

Grande parte das mulheres passam uma vida toda tentando se sentir mais belas, ter cabelos mais fortes, unhas mais bonitas, roupas mais elegantes, sapatos mais altos, quando a genuína beleza está em conseguir deixar tudo isso de lado e se sentir mais bela do que nunca.
Isso não é um trabalho fácil nem muito menos uma mudança que vai acontecer do dia para a noite, mas acredito que tudo começa com a consciência de que nossa felicidade só depende de nós mesmas.

Joli Ribeiro

Bela, Recatada e do Lar

O que ela escolheu: Viajar e voltar para casa sempre como uma nova Joli.

Por que não “Bela, Recatada e do lar” e mesmo assim uma mulher de sorte:  

“Eu acredito que somos muito daquilo que carregamos em nossa bagagem, sejam bens materiais, experiências, ideologias, valores ou sonhos. Busco ocupar cada pedacinho vago da minha bagagem com viagens, afinal é o que EU considero mais prazeroso nessa vida! Por quê? Viajar, bem como liberdade, é se permitir para um leque de novas possibilidades. E quando você escolhe ser livre, você opta por abrir as portas do seu eu interior para novos pensamentos, novas experiências. Viajar, portanto, é enriquecer a alma, ampliar a consciência sobre a vida, enxergar nossa verdadeira identidade e eternizar momentos em nossa memória! A cada fim de viagem, volta para casa uma nova Joli! Sempre com novo gás para trabalhar, mais esperançosa, mais sonhadora… sempre já pensando na próxima!”

E você? Qual é a sua tag preferida da vida real para #Bela, Recatada e do Lar”?