Não podíamos deixar passar uma data tão significativa para nós viajantes. Para comemorar a data descubra curiosidades da profissão como esta: você sabia que para se formar comissário de bordo é preciso fazer provas práticas de sobrevivência na selva? 

No dia 31 de Maio de 1973 ocorreu a criação da Associação Internacional dos Comissários de Voo (em inglês, IFAA – International Flight Attendants Association) e assim foi designado este dia dedicado a profissão. Porém, só no ano de 1986 foi oficializado no calendário mundial o dia 31 de Maio como Dia Internacional do Comissário de Bordo.

comissario de bordo

Foto: World Airline News

Formação

Para nós que muitas vezes estamos só de passagem no voo, indo de um a destino a outro, não prestamos muita atenção ou não temos ideia do tempo dedicado pelos comissários para estarem ali sempre dispostos a auxiliar e fazer com que sua viagem seja a mais confortável possível.

Para se tornar comissário de bordo, é preciso fazer um curso com duração de 4 a 6 meses em escolas autorizadas pela ANAC (Agencia Nacional de Aviação Civil). Dentro deste curso, os alunos são instruídos em matérias como meteorologia, primeiros socorros, conhecimentos técnicos do avião, legislação específica da profissão, padronização dos serviços de bordo, entre outras.

Ao chegar ao final do curso, os alunos são testados tanto em provas teóricas quanto em provas práticas. Na prática, por exemplo, eles precisam ficar dois dias – em média – na “selva” para simular a queda do avião em uma área remota. Nesse treinamento precisam montar acampamento, fazer a evacuação da aeronave, fazer fogueira e atendimentos de primeiros socorros. Logo após esta fase do curso, os alunos precisam passar pela “Banca da ANAC”, uma prova que consiste em 5 blocos de matérias para que o comissário do bordo tenha uma habilitação para poder voar.

Passando por todas essas fases, o profissional finalmente fica disponível para as companhias aéreas, esperando assim surgir novas vagas. Dependendo da companhia e do avião que ele vai operar, é necessário fazer um treinamento de mais ou menos um mês para tirar a carteira específica para aquele avião, ou seja, são conhecimentos técnicos únicos de cada aeronave que o comissário precisa ter.

O idioma indispensável para a maioria das companhias é o Inglês, principalmente para quem almeja a categoria internacional. Esses treinamentos são reciclados anualmente para garantir maior segurança e eficiência em casos de emergências reais.

Rotina

A escala de voos é definida dois dias antes do fim do mês. Normalmente no dia 29 os comissários de bordo já sabem qual a escala do mês seguinte e com isso programam a vida pessoal dentro daquele calendário.
Existe também a “reserva”, na qual o comissário fica no aeroporto à disposição da companhia e com isso eles acabam fazendo a mala sem saber para onde vão. Podem ir tanto para uma cidade de frio quanto uma cidade de praia, por isso a mala sempre tem que ter um pouco de tudo.

Sonho para nós viajantes fazer uma mala sem destino né? Haha

O comissário de bordo tem até 83 horas em média para voar por mês e o salário é medido por hora de voo com valor de hora maior para voos noturnos. A maior diferença para quem faz rotas internacionais é que acaba sendo mais fácil cumprir essas 83 horas mensais, já que um voo por exemplo de SP para Madri tem duração de dez horas, ida e volta já somam vinte horas em apenas uma viagem. Já os nacionais são voos mais curtos, então é preciso voar mais vezes para cumprir a carga horária. A média de horas de voo por dia chega a ser de nove a onze horas, dependendo da escala.

Para conseguir entrar na rota internacional, a maioria das companhias optam por quem tem maior tempo de casa e seguem uma hierarquia na hora da escolha. Outra particularidade da rotina dos comissários de bordo é que dificilmente ele terá uma rotina de destinos parecidos. Os voos serão sempre em datas aleatórias e trechos aleatórios. Por isso é preciso ter uma cidade base, ou seja, o comissário(a) precisa escolher uma das cidades da companhia para ser ponto de partida e de chegada. Então se é escolhido por exemplo São Paulo, os voos sempre vão decolar e aterrissar em São Paulo.

Curiosidades

Todos os tripulantes brasileiros tem direito a passagem gratuita para todo território nacional quantas vezes quiser. Recentemente eles ganharam o direito ao “Passe Livre”. Ou seja, podem voar por outras companhias aéreas desde que estejam uniformizados e que no avião tenha lugares sobrando, atentando que eles também podem voar na cabine do piloto porque tem autorização pra isso. Mesmo que não tenha lugar no avião eles podem voar nos chamados “Jump Seat”, que é o assento do comissário e os assentos que ficam dentro da cabine do piloto na parte de trás.

Todos os dias os voos são com tripulantes diferentes, ou seja, em questão de pouco tempo os profissionais precisam aprender a lidar com diferentes colegas de profissão, trabalhar junto, conhecer personalidades distintas o tempo todo, o que acaba tornando ainda mais interessante para os tripulantes as horas de voo, já que dificilmente você verá aquela pessoa novamente por conta dessa rotatividade intensa.

A profissão de Comissário(a) de Bordo é muito mais que servir lanche e bebida para os passageiros. É um trabalho lindo que muitas vezes passa despercebido pela maioria, mas que tem uma importante função na aviação. Muito mais que comissária ou comissário, eles são muitas vezes psicólogos, médicos, cuidadores de idosos e babas daquelas crianças que por algum motivo viajam sozinhas precisando de uma supervisão e cuidado. São treinados e preparados para lidar com todo tipo de situação, desde um simples enjoo até realização de um parto durante um voo.

O Mochilando agradece todo empenho, dedicação e amor desses profissionais nesse dia dedicado aos comissários de bordo.

Agradecimento especial as comissárias Gabriela e Paula que contaram um pouco das suas histórias pra gente!

**Um lembrete especial das comissárias: esperem pelo “Desembarque Autorizado” antes de tirar o cinto e levantar da poltrona, a porta não vai abrir mais rápido com você em pé no corredor.