Parece difícil ser aquele que está sempre indo, aquele cuja vida é uma infinda despedida e um eterno reencontro, aquele que sabe bem a dor de não estar presente nos momentos importantes, aquele que se acostuma com a sensação de não fazer mais parte daquilo que já fez um dia e que sabe melhor do que ninguém que a palavra “saudade” realmente não tem tradução. No entanto, a estrada é sempre um novo começo e uma liberdade do passado; liberdade pra ser a pessoa que você sabe que é além do confinamento de suas histórias, sem perguntas ou julgamentos, e isso também te liberta hipoteticamente de todos aqueles sentimentos dolorosos da partida.

Maternidade – O coração de quem fica | Foto: Patricia Schussel Gomes

Mas como será que deixamos o coração de quem fica?

Família Tailândesa

Existe uma infinidade de pessoas que ficam enquanto a gente mete o pé na estrada, mas uma delas nos carregou no ventre um dia, nos deu a vida, nos deu o primeiro alimento, o primeiro beijo, o primeiro carinho, o primeiro sorriso, o primeiro não, o primeiro sim. Essa pessoa nos viu dar nossos primeiros passos e os aplaudiu ardentemente sem nunca imaginar que aqueles passinhos cambaleados tão inocentes nos levariam tão longe um dia.

E será que ela se acostuma?

Será que ela se diverte com as histórias malucas que a gente conta? Será que ela consegue nos apoiar de verdade naquilo que ela considera loucura? Será que ela faz isso só porque sabe que nos deixa feliz? Será que ela esconde tão bem o medo de que algo ruim aconteça? Será que ela se adapta a ver nossa vida acontecendo pelo facebook? Será que ela se importa de contar e saber as novidades por email? Será que ela sente ciúme das novas mães que a gente arruma por onde passa? Será que ela se acostuma com notícias por whatsapp? Será que ela odeia o fato de que a gente nunca atende o celular? Será que ela pensa que a gente não sabe de nada disso?

Tradição Chinesa com bebês

Talvez nunca saberemos responder se ela realmente se acostuma com isso tudo, mas sabemos muito bem que o coração de quem fica e de quem vai está sempre vibrando na mesma sintonia: saudoso, mas leve e orgulhoso por ter ido tão longe.

E você? Já parou pra pensar como seria estar do outro lado?