Em Janeiro deste ano eu e meu namorado fizemos uma viagem de 17 dias pelo Peru em função de um casamento de amigos. Nosso roteiro incluiu a fantástica Machu Picchu e demais atrações relacionadas à cultura inca, mas também outros destinos menos explorados no país. Dentre estes últimos, incluímos as deslumbrantes trilhas na região de Huaraz e a surpreendente e pouco conhecida Ausangate. E chegamos a uma conclusão: Peru, seu lindo!

Machu Picchu

É impossível falar sobre o que fazer no Peru sem começar pela atração mais famosa do país né? Como tínhamos um roteiro com duração limitada resolvemos explorar o cartão-postal peruano de uma forma cansativa, mas que nos foi suficiente: bate-e-volta.

Para chegar a Machu Picchu é preciso passar por algumas etapas. Primeiro, saímos de Cusco por volta das 3 da manhã, depois pegamos o trem Peru Rail às 5 e chegamos à Aguas Calientes, de onde sai o ônibus para Machu Picchu, pouco antes das 8h. Como nosso trem de volta era só no fim do dia, tínhamos o dia todo para curtir a cidadela.

É possível comprar diretamente o ingresso à Machu Picchu pela internet no site do governo peruano, porém nossa visita seria no começo de 2016 e os ingressos estavam sendo segurados. Todos os dias eu entrava no site e nada, uma angústia. Com a aproximação da viagem resolvi solicitar a compra do ingresso à Machu Picchu + Huayna Picchu e o transporte diretamente ao nosso hotel, o Picol Hostal. O total cobrado foi US$ 245 por pessoa, uma diferença muito pequena em relação ao que seria se eu tivesse feito tudo à distância e com uma vantagem: eu só precisaria pagar ao chegar em Cusco, então pude pagar em dinheiro e economizar no IOF do cartão. Além do perrengue da espera para o governo disponibilizar as entradas – o que ele só fez no dia 1 de janeiro, aliás!

Ao chegar em Aguas Calientes uma pessoa te chama pelo seu nome ou nome do seu grupo/guia e te leva até o ônibus que sobe para Machu Picchu. Os guias normalmente estão lá em cima de forma que uma pessoa que visita sem planejamento não tenha nenhum problema, sempre tem guia sobrando oferecendo seus serviços e com preço bem razoável. Falando em preços, preparem-se porque Aguas Calientes é mais cara que Cusco, pelo menos os restaurantes e lojinhas que vimos. E eu particularmente não me hospedaria lá, é cara e não tem nada para fazer.

O Santuário Histórico de Machu Picchu é exatamente como eu imaginava, nem mais, nem menos. É fascinante, com muita energia. Impossível não admirar a engenhosidade do povo inca, é muito impressionante. Reza a lenda que a “cidade perdida” foi usada como um resort do imperador inca Pacachuti #aiqueselvagem. Ouvir as histórias e teorias e ver todo o cenário ali é coisa de outro mundo, dá para entender a fama do lugar!

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Ausangate

Esse região a algumas horas de Cusco ainda não é muito explorada por viajantes brasileiros mas oferece visuais espetaculares. Sabe quando você vê algo e diz “eu preciso conhecer”? Foi assim comigo, amor à primeira vista. E se você estiver pensando sobre o que fazer no Peru, #ficaadica.

Como nem tudo são flores, embora os trekkings na região durem de 5 a 9 dias e nós só tínhamos um dia para ir, tive que me contentar com uma “amostrinha”” da estonteante beleza de Ausangate e sua “montanha colorida”. O fantástico é que por ser menos conhecida, além de sermos os únicos turistas ali a sensação era de estarmos fazendo algo realmente autêntico, só havia as poucas famílias quechua do povoado e a natureza.

Saímos de Cusco por volta das 3h da manhã, depois de quase 4h de carro chegamos ao povoado onde tomamos café e iniciamos a trilha. Foram mais ou menos 7 horas de trilha (ida-e-volta) chegando a mais de 5 mil metros de altitude. Como chegamos bem cedo havia muita neve nas montanhas e ao longo do dia a neve derreteu e parecia que estávamos em outro lugar, foi muito legal ver o contraste. Não vou enganar ninguém falando que é uma trilha tranquila, porque não é. O quilômetro final é de morrer, muito cansativo com a subida, mas valeu a pena cada pingo de suor!

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Vista Panorâmica de Ausangate

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Montanha Colorida de Ausangate

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Huaraz

Huaraz é o ponto de partida de diversas trilhas, a cidade em si não oferece muita coisa mas o visual da Cordillera Blanca e do Parque Nacional Huascarán compensam. Para os amantes da natureza e de vistas maravilhosas é fundamental incluir a região no seu roteiro de o que fazer no Peru. Visitamos: Vale de Llaca, Laguna Parón, Laguna Chrup, e a famosíssima Laguna 69.

O Vale de Llaca é uma ótima opção de aclimatação pois é considerada uma trilha de dificuldade entre fácil e média a aproximadamente 4.500 metros de altitude. Com uma laguna que leva o mesmo nome e a vista para o Glaciar Ranrapalca, a caminhada de pouco mais de uma hora não exige tanto esforço e apresenta um panorama bem bonito!

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Vale de Llaca

A Laguna Parón sem dúvida foi minha trilha favorita – principalmente porque ela pode ser totalmente acessada de carro, hahaha Brinks! Eu amei a Laguna Parón porque ela é simplesmente de tirar o fôlego, um azul turquesa muito bonito, me fez pensar nas fotos que vejo dos lagos canadenses. Com altitude de 4.200 metros e o acesso de carro, ela também é indicada para aclimatação. Há uma trilhazinha ao redor da laguna, super leve e gostosa de fazer. É bom chegar cedo para evitar encontrar outros turistas 😉

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Já a Laguna Chrup foi mais um desafio nessa minha vida de trilheira. Considerada de nível médio a difícil, essa trilha apresenta escalada em seu percurso. Gente, eu nunca tinha escalado na vida e para piorar chovia, então escorregava muito! Claro que não foi nada estilo rapel, mas fiquei feliz de estar com um guia experiente que me auxiliava com corda e me tranquilizava psicologicamente. Foi uma sensação incrível chegar na Laguna com suas águas verde-esmeralda, mesmo com tempo ruim deu para ver como é bonito. Sem dúvidas voltarei e de preferência em uma época melhor (Janeiro, assim como Dezembro e Fevereiro, é época de chuva).

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Escalada para chegar na Laguna Chrup

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Finalmente, em nosso último dia em Huaraz fomos à famosa Laguna 69, o trajeto até lá é bem bonito passando pelo Callejon de Huyahuash, o Vale de Llanganuco e o lago Chinancocha.

Eu já sabia da dificuldade (grande) da trilha mas achei que seria mais tranquilo depois de ter feito a “montanha colorida” de Ausangate e as outras. Não foi hahaha #cricri. A sensação que eu tinha é que andava, andava e andava e não chegava nunca. São quase 14 km ida-e-volta a 4600 metros de altitude, mas a verdade é que parece bem mais: quando eu estava voltando uma turista me perguntou se estava perto e ao dizer “não exatamente” ela replicou “estoy muriendo” hahaha #truestory

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Além de uma excelente história de superação, a Laguna 69 é realmente espetacular. Rodeada por “nevados” e com uma coloração de água que depende do sol e chuva – nos meses do “nosso” inverno ela fica fluorescente – terminar a estadia em Huaraz com essa trilha é fechar com chave de ouro. É até melhor deixá-la por último tanto por razões de aclimatação e esforço, mas também porque assim deixamos o melhor para o final né? Só recomendo chegar bem cedo porque ao longo do dia chegam muitos turistas, grupos mesmo. Nós tivemos sorte e fomos literalmente os primeiros a chegar 😀

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Laguna 69

E aí já sabe o que fazer no Peru?

Saiba como foi  o Ano Novo em Cusco com a matéria da nossa colunista Barbara Tigre que esteve por lá  😉

Veja também O que fazer em Lima, com dicas para quem vai ficar de 1 a 5 dias na cidade.