Por Lucas Rodrigues e Rafael Saes

Eu e meu amigo fotógrafo Rafael Saes – autor de todas as fotos deste post – estávamos a caminho do Quênia e resolvemos parar na Etiópia para conhecer e explorar o OMO Valley. Para falar a verdade, só comecei a me interessar pela região e pelas tribos que vivem lá no ano passado. Antes, nem sabia da existência deles. Vocês conhecem ?

O OMO Valley é o lugar com a maior diversidade de tribos antigas da Etiópia. Todas únicas, vibrantes e incríveis. Cada uma ainda vive ao seu modo, com suas tradições e costumes inusitados. A paisagem também é linda: savana com selva, mini fazendas (todas as tribos da região são formada por pastores de gado) e casas de barro e palha. As plantações de algodão também chamaram minha atenção, mas nada foi mais impressionante do que a primeira tribo que conhecemos: Konso.

konso etiopia

Konso tem 300 mil habitantes divididos em 43 vilas pequenas. Casas, muros e ocas de pedra, palha e bambu. Até pitoresco. Bem diferente, as vilas são formadas por círculos de muros que vão sendo construídos à medida que a população vai se espalhando.

konso etiopia

As outras tribos também são bastante impressionantes! E Mursi é uma dessas.

Para chegar até lá, foi necessário uma viagem de duas horas. Muito reggae etíope (já ouviu? Aperta play no vídeo no final desse post) e a incrível paisagem do Mago National Park pelo caminho (terra de leões, hipopótamos, rinocerontes, elefantes e girafas) #veryafrica

Os Mursi são realmente únicos e isolados (mesmo vendo um ou outro na cidade). São conhecidos pela pintura corporal – principalmente facial – e pelos adornos: chifres na cabeça, argolas nos braços e pernas e grandes rodelas de madeira nos lábios e nas orelhas. Chega a ser inacreditável – principalmente quando se vê os lábios e orelhas sem esses adornos quando ficam abertos. Suas cabanas e ocas, juntos com a geografia e beleza dos arredores, formam um lugar lindo, perfeito para viajar na imaginação.

tribo mursi

Uma coisa acontece nesse e em geral em todas as outras tribos: tira-se uma foto e paga-se por ela. São 5 birr (US$ 0,25) por foto. Chega a ser um pouco desconfortável e até irritantes às vezes. Muitas pessoas, não só nessas tribos, não param de pedir para que façamos fotos delas para que elas possam cobrar e ganhar um dinheiro. Achei muito estranho e fui pesquisar sobre isso.

O OMO, ao contrário do que se parece, não é uma terra parada no tempo. Estradas, usinas de açúcar, plantações de café e outras indústrias vêm “civilizando” quem mora por ali. As tribos sofrem. Perdem recursos naturais, têm suas águas poluídas e precisam de dinheiro para sobreviver. O turismo é uma ajuda e o pagamento pela foto também. É uma maneira das tribos manterem vivas suas tradições e seus costumes de vida, além de sustentar suas crianças. Passei a entender um pouco e a aceitar a situação. Mas me dói saber que um Patrimônio da Humanidade, tombado pela UNESCO, vive numa situação tão precária.

Falando nas crianças Mursi, as que tivemos mais contato são, na maioria, sensacionais. Ficam loucas com o celular e a câmera fotográfica. É só deixar na mão deles que brincam sem parar. Riem como loucos. Te puxam. Te chamam. Te acolhem. E não pedem dinheiro como seus pais.

Lembram até aquele post sobre a pureza das crianças da Índia 

tribo mursi etiópia

Nosso guia, o Lalo, nos explicou também sobre tudo isso e nos ajudou muito a entender tudo o que se passa no Vale.

Lalo é nativo de Jinka – capital do OMO e onde ficam todos os turistas – que, aliás, são pouquíssimos. Diferente das grandes empresas de turismo da Etiópia – que cobram mais caro, não são flexíveis e deixam pouco dinheiro nas comunidades -, Lalo faz diferente. Distribui com todos e tem como objetivo real desenvolver seu povo.

Acho que o turismo pode sim ser mais inteligente – e com certeza mais barato. Dar chance aos pequenos guias e empresas locais pode ajudar muito a região visitada. Além do mais, é muito mais íntimo e em certo casos empolgante. O envolvimento com o lugar acaba sendo maior e mais divertido. Você conhece os amigos de quem está com você, conhece os costumes locais e vivencia isso. Para mim faz mais sentido. #experiência

Outra tribo que deixa qualquer um de boca aberta é a Hammer.

tribo hammer etiopia

Moram mais isolados ainda e tem um costume bem estranho que nos chamou a atenção: o “Bull Jumping” (pulação de bois).

Funciona assim: eles fazem fileiras de bois – de cinco a sete – e o homem tem que atravessar essa fileira pulando e colocando os pés em todos os animais. Confesso que fiquei um pouco desconfortável vendo eles enfileirarem os animais e pulando sobre eles. A tradição acontece sempre que algum homem quer se casar. Ele fica semanas treinando para que tenha sucesso. Cada tribo tem sua maneira de transformar um rapaz em um homem.

Pode parecer bem diferente, mas tudo impressiona.

Outro presente que a Etiópia nos deu foi ver algo raro em toda a África: uma criança negra com o olho azul!

jinka etiopia

O OMO Valley é muito remoto e difícil de ser visitado. Por enquanto, o acesso mais barato é terrestre e demanda 12 horas para chegar em Jinka, vindo de Addis Ababa (capital do país). Uma vez ali, é necessário fazer várias viagens diárias de uma, duas ou três horas para chegar nas tribos. Como algumas são mais distantes ainda, é necessário passar a noite nelas. Outra maneira é ir de avião até Arbaminch, (opção mais cara) e continuar viagem de Jinka – cerca de quatro horas de viagem do local. É cansativo, mas vale muito a pena.

Espero que mais e mais pessoas possam se maravilhar com a cultura desse lugar e ter a chance de contar a experiência como eu!

Além disso,  eu continuo a minha viagem. Estou no Quênia agora, colocando em prática o modelo de impacto social da minha empresa, a Hevp (www.hevp.com.br), e estou mostrando tudo pelo Instagram e Snapchat: hevpclothing.  Nos acompanhe em tempo real lá também!

O tal do reggae etíope ? Som na caixa!