A Tailândia foi, por muito tempo, meu destino dos sonhos. As praias paradisíacas, a cultura riquíssima e a culinária extraordinária me deixavam ansioso para experimentar todas estas maravilhas. Porém, entre todas as coisas, a possibilidade de ter contato próximo com elefantes me fascinava. Eu me imaginava o desbravador das florestas, montado em um paquiderme de algumas toneladas encontrando lugares inexplorados.

Quando a viagem finalmente iria se tornar realidade comecei a pesquisar sobre passeios de elefante no sudeste asiático, foi aí que descobri a triste realidade desta atividade tão comum no continente. Elefantes naturalmente não querem ser montados, não gostam de pintar quadros e tão pouco de demonstrar seu equilíbrio fazendo acrobacias. Para que aceitem fazer todos estes truques eles precisam ser treinados e este treinamento é uma das coisas mais cruéis que já vi.

passeio de elefante no sudeste asiático

Filhote de elefante passando pelo processo de quebra da alma (Foto: Brent Lewin / Redux Pictures)

Como é o treinamento dos elefantes

Os elefantes, capturados ainda jovens, primeiramente têm seus movimentos totalmente limitados por cordas. Incapazes de sentar, mover as pernas ou a cabeça são golpeados com varas de bambu, espetos e um gancho que o treinador de elefantes (chamado de mahout) vai usar mesmo depois que o elefante for adestrado.

Por semanas os elefantes têm os movimentos limitados, além da alimentação e a quantidade de água que bebem. O objetivo é que esse processo, chamado de “quebra da alma” faça o elefante deixar de resistir ao cativeiro e passe a ser passivo. A partir daí o animal começa a aprender a caminhar, a ser montado, enfim, a obedecer seu mestre sob a pena de ser ferido novamente com o gancho.

O vídeo abaixo é difícil de ver, mas é a realidade do treinamento de elefantes. Se você está considerando montar em um deles, por favor assista.

Mas, e agora? Vamos ficar sem curtir um passeio de elefante no sudeste asiático?

Eu fiquei completamente frustrado com tudo que li e também chateado por não poder ter uma experiência com estes animais incríveis, mas como não havia outra opção deixei para lá. O tempo passou e, em algum momento do ano passado, uma amiga foi a Chiang Mai, no norte da Tailândia. Lá ela visitou um lugar chamado Elephant Nature Park. Este parque é um santuário que resgata elefantes e oferece aos visitantes a oportunidade de ter contato com estes gigantes sem submetê-los à atividades estressantes. Ela ficou muito satisfeita e eu bastante interessado em saber mais.

passeio de elefante no sudeste asiático

​Elefantes resgatados no Elephant Nature Park

A melhor solução: conheça o Elephant Nature Park

Meses depois, quando cheguei em Chiang Mai, fui imediatamente conferir o trabalho desse parque onde passeios de elefante, felizmente, não são uma opção. Primeiro você tem que escolher entre os diversos tipos de visita que eles oferecem: Um dia com os elefantes no parque, alimentando e dando banho nos paquidermes; caminhar com os elefantes que ainda não se integraram e que ficam na floresta; ou até ficar lá uma semana cuidado dos animais. Além de vários elefantes eles ainda cuidam de mais de 500 cães, gatos, búfalos, cavalos e outros bichinhos resgatados.

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A maioria dos 500 cães foram resgatados de enchentes e têm, no parque, muito espaço para brincar até encontrarem um dono.

O passeio de um dia com os elefantes protegidos

Escolhi um passeio de um dia e na chegada já fomos recepcionados pelo primeiro elefante, que estava esperando tranquilamente pelos três cestos cheios de melancia que utilizamos para alimentá-lo. Foi legal ver que nós é que estávamos no lugar fechado, enquanto o elefante tinha toda a área externa e poderia ir para onde quisesse.

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Café da manhã light

Em seguida saímos pela área externa caminhando em meio aos vários búfalos dividindo a paisagem com os paquidermes. Você tem a oportunidade de conhecer a história destes antes de serem resgatados dependendo de quais elefantes for encontrando pelo caminho. Algumas são mais tristes que as outras, como a da elefante com a pata quebrada por uma tora de madeira enquanto trabalhava ou do elefante que pisou em uma mina terrestre e foi ferido gravemente. Se você quiser saber mais sobre a história deles basta ir até o site do parque, no blog você acompanha até como cada um deles está indo.

A Jokia, da foto abaixo, foi resgatada depois de ficar cega por culpa do seu mahout. Ela fez logo uma amiga elefante no parque que servia também como guia. O triste é que a amiga acabou de falecer e a história da reação da Jokia e de como aos poucos ela está fazendo amizade com outras famílias de paquidermes no parque é emocionante.

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​Jokia: perdeu a visão, mas ganhou a liberdade.

De tempos em tempos você pode alimentar um deles e parar para tirar umas fotos, eles são super tranquilos e não se importam nem com pau de selfie. Mas seja como for, a escolha é sempre do elefante, se ele não estiver a fim não tem foto. Cada um deles tem um tratador que esta sempre de olho, mas interfere o mínimo possível nas ações do elefante. A única ferramenta que eles utilizam para mover os elefantes de um lugar para outro é comida, e nem sempre os grandões se interessam.

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Selfie Time

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À tarde você vai para o rio dar banho nos elefantes. Pode pegar um balde e se preparar para ficar molhado. Em geral os elefantes estão comendo melancias ou abóboras, mas às vezes eles resolvem participar da brincadeira e jogar um pouco de água neles mesmos e, neste caso, é provável que sobre água para você.

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​Se não tem voluntário vai um banho de mangueira mesmo.

Mais próximo do fim do tour sobra bastante tempo para ficar observando os elefantes das plataformas. Eles frequentemente param por lá para coçar as costas nos pilares da estrutura ou para tomar um banho de lama na piscina. E foi mais ou menos assim que acabou meu dia por lá, observando os elefantes brincarem soltos enquanto a chuva dava uma trégua para o calor intenso.

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​Será que estão se divertindo?

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Elefantes curtindo a chuva no fim do dia.

Eu realmente fiquei muito satisfeito com o que vi e estou muito feliz de poder falar aqui sobre um projeto sério que realmente se preocupa não só com os elefantes, mas com todos os outros animais resgatados. O parque também não se mantém somente com o valor que cobram pelos passeios, se você visitá-lo verá o tamanho da estrutura que só pode ser mantida com o auxílio de doações através da Save Elephant Foundation.

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Um elefante adulto pode comer até 150 Kg de comida por dia. Essa é só uma parte do estoque.

Enfim, mais do que qualquer coisa o objetivo deste post é informar quem procura fazer um passeio de elefante no sudeste asiático, mas principalmente na Tailândia. No fim das contas a escolha é sua, mas é importante que você saiba o quanto os animais sofrem para fazer todos estes truques e, ainda, que esta indústria só existe porque há demanda. Se você, como eu, é apaixonado por esses grandalhões asiáticos, e quer chegar pertinho deles, o Elephant Nature Park em Chiang Mai é a melhor opção.

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