O país americano é incrível, com diversas atrações culturais e naturais a serem exploradas. Nesse post, eu divido um pouco do processo de construção do roteiro da Guatemala e dou algumas dicas de planejamento.

Há uns 6 meses atrás, recebi a notícia de que uma grande amiga iria se casar na Guatemala. Até então, eu sabia muito pouco sobre esse país: fica na América Central, fala espanhol, tem uma natureza muito abundante e um passado ligado ao narcotráfico. E aí surgiu a dúvida: será que devo fazer só um bate-e-volta rápido para o casamento ou será que vale a pena tirar uns dias a mais de férias para conhecer esse lugar? Curiosa que sou, fiquei com a segunda opção e estou partindo pra ficar oito dias lá na semana que vem.

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Esse sem dúvida foi um dos roteiros mais difíceis que já organizei até hoje. Comecei me dirigindo à livraria mais próxima, procurando por um guia da Guatemala (sim, sei que há muita informação disponível online sobre qualquer lugar do mundo, mas sou uma turista à moda antiga e gosto de ter meus livrinhos). A reação do livreiro já adiantou a cara de espanto da maioria das pessoas pras quais eu falei que vou tirar férias lá: “- Guatemala? Mas o que você vai fazer lá?”. Resumo da ópera: nada de guia.

Antes de começar a detalhar meu roteiro pela Guatemala, é preciso fazer uma observação: eu sou uma viajante que, em geral, preza por um certo nível de conforto e gosta muito de ter controle total dos acontecimentos – só de pensar em perder um voo ou um trem, já me bate um mal estar. Se possível, já saio do Brasil com todas as reservas de passeios e restaurantes feitas e no máximo vou fazendo pequenas adaptações no roteiro, ao longo da viagem, se necessário.

Comecei, então, reunindo informações na internet – essa ferramenta maravilhosa! –, consultei sites e blogs nacionais e estrangeiros, também passei a seguir vários perfis sobre a Guatemala no Instagram (estou apaixonada pelo @quepeladoguate @conozacamosguate e @explorandoguatemala). Foi aí que percebi que os 8 dias que eu tenho não serão suficientes para conhecer tudo que eu gostaria; paciência, vou ter mais motivos para voltar lá um dia.

roteiro pela guatemala Foto: Clarissa Moliterno

Tikal

Bom, tendo menos dias do que gostaria e um casamento no meio da viagem – o que no meu caso envolve algumas (muitas) horas no salão – tive que, mais do que nunca, pensar em cada passo a ser dado nesse roteiro pela Guatemala. Comecei a construir o roteiro com base no que eu considerei como imperdível, a partir de tudo que li e de forma a conciliar os meus interesses com os do meu namorado, que vai me acompanhar na viagem.

Assim, são 4 os pontos centrais do nosso roteiro pela Guatemala: as ruínas Maia no norte do país – região que concentra diversos complexos arqueológicos, do qual o mais conhecido é o Tikal; o Lago de Atitlan, que fica aos pés de três vulcões incríveis; Semuc Champey (veja o post do Diego e se encante com essa maravilha!) e Antigua, uma cidade colonial que é considerada a capital cultural da Guatemala. Problema 1: essas atrações se espalham pelo país de norte a sul.

O jeito foi tentar desenhar no mapa como a viagem seria: decidi começar pelo norte e ir descendo – de algum modo – até o sul. Abri o bom e velho Google Maps e fui calculando quanto tempo era necessário para cada trajeto entre as atrações – alguns são bem longos, de mais de 6h de viagem. Quando vi que era factível incluir tudo no roteiro, reservei os hotéis – serão 5 ao todo nessa viagem: na Cidade da Guatemala, Flores, Coban, Lago de Atitlan e Antigua –, comprei a passagem de avião da Cidade da Guatemala, onde eu chego, para Flores, no norte, e comecei a entrar em contato com agências de viagem para saber que tipo de transporte eles oferecem.

Problema 2: o sistema de transportes na Guatemala é muito fraco – o transporte público em geral não é recomendável para turistas e mesmo os shuttles oferecidos pelas agências de viagem locais apresentam inconvenientes: pouca oferta de horários, muitos relatos de atrasos e serviços mal prestados. Não considerei alugar um carro porque minha amiga guatemalteca foi enfática em falar que não seria uma boa ideia, há estradas muito ruins e não é seguro. Assim, o transporte foi a parte mais difícil de planejar, inclusive porque não há, no meu caso, espaço para atrasos em decorrência dos poucos dias e da necessidade de estar em Antigua ao final da viagem para o casamento.

Levando tudo isso em consideração, decidi gastar um pouco mais e fazer todos os trajetos com motoristas particulares. Nesse ponto, foi essencial contar com a ajuda dos hotéis em que vou ficar hospedada: entrei em contato com todos eles por email e todos foram muito solícitos em providenciar os carros e motoristas para me levar de uma cidade a outra. Já tenho uma impressão muito boa do povo guatemalteco!

roteiro pela guatemala Foto: Clarissa Moliterno

Semuc Champey

Graças à indicação do gerente de um dos hotéis em que nos hospedamos, o Hotel Cirilo, em Antigua, conseguimos o contato de um motorista com quem fechamos a maior parte dos percursos, o Edwin Muñoz (email: [email protected]), de modo que ele conseguiu bons descontos para nós, se comparado com o preço oferecido por outros motoristas.

O que percebi até agora é que, embora seja um país onde, na teoria, tudo é muito barato, na prática não é bem assim para os turistas: como tudo é cotado em dólar, acaba não saindo tão barato assim. De qualquer modo, tudo que eu falei até aqui não se aplica muito se a sua intenção é viajar por lá com uma mochila nas costas e com mais tempo – no meu caso, decidi pagar para ter uma viagem completamente esquematizada e com o máximo de conforto possível, já que serão muitos deslocamentos em pouco tempo.

roteiro pela guatemala Foto: Clarissa Moliterno

Nikon

Como sabemos, uma viagem nunca sai 100% dentro do planejado – e inclusive parte da graça está aí, em ser surpreendido e voltar com historias para contar –, mas espero que no geral tudo fique mais ou menos dentro do roteiro.

Nosso roteiro pela Guatemala ficou assim:

Dia 01

Chegamos a Cidade da Guatemala apenas à noite e nos hospedamos em bed and breakfast próximo ao aeroporto (Hostal Villa Toscana), já que no dia seguinte o voo para Flores sai às 6h da manhã.

Dia 02

Voo para Flores, Peten, às 6h da manhã e chegada em Flores às 7h. Nesse mesmo dia visita ao Tikal, cidade arqueológica considerada o centro do “Mundo Maia”. Hospedagem no Las Lagunas Boutique Hotel.

Dia 03

Esse é o único “dia livre” da viagem. Como tudo pode ficar um pouco corrido, deixei a programação desse dia em aberto. As opções: visita a outra cidade arqueológica Maia (Yaxhá seria a nossa opção) ou curtir o dia no Hotel Las Lagunas – eles oferecem um tour pelas ilhas do hotel e pela reserva florestal privativa.

Dia 04

Saída de Peten com destino a Coban. Essa viagem de carro demora umas 6h/7h. Tour por Coban. Hospedagem no Hotel Casa Qeqchi.

Dia 05

Visita a Semuc Champey e às grutas de Lanquin. Esse tour dura um dia inteiro. Hospedagem no Hotel Casa Qeqchi.

Dia 06

Saída de Coban com destino ao Lago de Atitlan. Esse trecho demora umas 8h de carro. Hospedagem no Hotel Casa Palopó.

Dia 07

Tour pelos vilarejos do Lago de Atitlan pela manhã, organizado pelo Hotel. De tarde, saída para Antigua, trecho que deve demorar de 2h a 3h. Hospedagem no Hotel Cirilo.

Dia 08

City tour por Antigua oferecido pela Elisabeth Bell Tours. A noite é o casamento e, por conta disso, acabei perdendo boa parte da tarde no salão.

Dia 09

Manhã de compras em Antigua e retorno à Cidade da Guatemala (fica a uns 50 minutos de carro de Antigua) para pegar o voo para a Cidade do Panamá e de lá de volta para o Rio.

Bem corrido, né? Quer saber se meu planejamento (roteiro pela Guatemala) deu certo e como foram os meus dias no país? Fique atento nos próximos!