A Costa Verde abriga infinitos segredos e praias espetaculares, mas poucos se comparam em charme ao Saco do Mamanguá. Perto de Paraty, oferece trilhas de tirar o fôlego, longas remadas, contato total com a natureza e muita lula à dorê! Confira nosso Roteiro Saco do Mamanguá.

O Saco do Mamanguá fica no município de Paraty, ao sul do estado do Rio de Janeiro e perto do litoral norte de São Paulo. É um braço de mar de beleza singular, que adentra o continente por 8km, com 2km de largura. Abriga poucas comunidades de pescadores caiçaras e mais de 30 praias de areia dourada, cercadas por densa Mata Atlântica e um lindo mar verde esmeralda.

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A energia elétrica chegou na região há apenas 2 anos, e não é lá muito confiável. O Saco do Mamanguá é para os aventureiros, que estão dispostos a praticar um pouco do desapego e viver um modo de vida mais simples, natural e, afinal de contas, mais saudável. Se prepare para caminhar, remar, comer peixe fresco e dormir cedo. Sempre com um sorriso bem grande no rosto!

Tive o prazer de visitar a região com minha mulher no final de Março de 2018. Com apenas 3 noites (perfeito para aquele feriado prolongado), conseguimos literalmente tirar os pés do chão e, em barcos e canoas, conhecemos vilas, mangues, cachoeiras, praias desertas e um pouco da cultura local. Aqui você encontra tudo que precisa saber sobre Roteiro Saco do Mamanguá!

roteiro saco do mamanguá em Paraty

Praia deserta

Saco do Mamanguá: O que fazer?

roteiro saco do mamangua em Paraty

Mapa do Saco de Mamanguá

Dia 1: Paraty e Chegada no Saco do Mamanguá

No dia anterior caíram as últimas fortes chuvas de março, e a estrada de terra para Paraty-mirim estava fechada. Tivemos que ir por Paraty, e o barco iria nos buscar às 15:30h no canal, em frente à Igreja da Matriz. Saindo de carro do Rio de Janeiro cedo, chegamos em Paraty ao meio dia, com tempo suficiente para caminhar pelo Centro Histórico.

A cidade colonial de Paraty é linda e eu não visitava há décadas, foi uma delícia nostálgica. Em pouco tempo é possível conhecer todo o Centro Histórico, passeando pelas principais igrejas (Matriz, Santa Rita, Rosário e Nossa Senhora das Dores) e também pelo porto. Almoçamos no Restaurante Galeria do Engenho (PF de peixe para 2 pessoas por R$ 50, bem gostoso, Rua da Lapa nº 18).

Às 15:30 embarcamos em uma lancha rápida e às 16:30 chegamos em nossa pousada, o Refúgio Mamanguá. A propriedade (dos muito simpáticos Paulo e Cris), que não chega a ter 10 quartos, é um charme total, com varandas exclusivas de frente para o mar e para montanhas verdes. Ansiosos por um tibum, deixamos tudo no quarto e nos jogamos na água debaixo dos últimos raios de sol.

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Vista da varanda do quarto

O jantar está incluso e é servido à luz de velas no restaurante, de frente para o mar. Para não perder tempo demais descrevendo cada um, vou dizer apenas que são pratos dignos de chef, cada noite com diferentes frutos do mar frescos (peixe na folha de bananeira, risoto de camarão e por aí vai…), com salada de entrada e sobremesa. Coisa fina!

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Restaurante e quartos do Refúgio Mamanguá

Dia 2: Trilha do Pico do Mamanguá

Acordar de frente para o mar com um café da manhã gostoso renova as energias! Pulamos em nossa canoa canadense, de uso liberado no Refúgio Mamanguá, e remamos para a outra margem por 20 mins, até a Vila do Cruzeiro. Amarramos nossa canoa em frente ao Restaurante do Cruzeiro, bem amarrada pra maré não levar embora.

A trilha do Pico do Pão de Açúcar, ou Pico do Mamanguá, começa no canto direito (olhando pro mar) da Praia do Cruzeiro. A subida é forte e leva aprox. 1:15h. A vista do topo, para a gigantesca área verde protegida pela Reserva Ecológica da Joatinga e pela APA do Cairuçu compensa o esforço. É hora de mandar aquela foto panorâmica e tentar pegar o Saco do Mamanguá inteiro!

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Panorâmica no alto do Pico do Mamanguá, ou Pico do Pão de Açúcar

De volta ao nível do mar e cheios de calor, curtimos um pouco de praia em baixo da trilha, com vista para a linda montanha que tínhamos conquistado. Em seguida, após constatar que nossas canoas ainda estavam no Restaurante do Cruzeiro, comandado pela Dona Roseli, almoçamos um delicioso PF de peixe fresco regado à água de côco.

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Restaurante do Cruzeiro, da Dona Roseli e Seu Maneco

Dali, seguimos de canoa para mais duas praias desertas onde passamos a tarde, voltando para a pousada na última luz do dia, às 18h. Mortos, salgados e felizes, esperamos ansiosos pelo jantar e pelo próximo dia.

Dia 3: Mangue e Trilha da Cachoeira do Rio Grande

Depois do café da manhã, enchemos nossas garrafas na fonte de água doce potável da pousada e novamente pulamos na canoa. Remamos para o fundo do Saco do Mamanguá, famoso por ser uma área de grande importância ambiental e um berçário marinho. Sem perturbar ninguém com nossos silenciosos veículos aquáticos, chegamos no mangue em aprox. 1h.

Remando por mais meia hora o passeio fica ainda mais interessante, serpenteando mangue adentro e rio acima, até atingir uma área de Mata Atlântica mais densa. Ali, amarramos nossas canoas próximo à placa que marca o começo da trilha para a Cachoeira do Rio Grande.

A trilha é leve e dura aprox. 10 mins até o poço, com uma árvore enorme que atravessa o rio, não tem como errar. O lugar é perfeito para um banho refrescante de água doce. Dali, subindo pelas pedras por mais 5 mins, há outras quedas d’água que proporcionam aquela bem-vinda massagem nos ombros. Vale a pena conferir.

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Cachoeira do Rio Grande

Emocionados com a mistura de praia, sol e cachoeira gelada, deixamos o Rio Grande e deslizamos para fora do mangue em nossa canoa, rumo ao Restaurante do Zizinho, com uma longa remada pela frente. Chegamos esgotados por volta das 17h, pedindo 2 heinekens geladas e o famoso PF de lula à dorê, que é realmente um espetáculo.

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Remando no pôr-do-sol rumo ao Restaurante do Zizinho

Saímos do restaurante com pouca luz e aprendemos uma lição importante. Leve SEMPRE sua headlamp. Remando de noite é fundamental que outros barcos possam ver as silenciosas canoas. Em 20 mins chegamos na pousada, preocupados com o jantar que estava por vir, e a barriga lotada de lula. Uma delícia essa ser nossa única preocupação…

Dia 4: Saída do Saco do Mamanguá

Depois de uma noite de forte atividade digestiva, acordamos já com saudades do Saco do Mamanguá, com nosso barco de volta para Paraty marcado às 11h. Depois do café e de um último tibum, nos despedimos dos queridos anfitriões com sinceros abraços. Na lancha rápida, escondido do sol e a caminho de Paraty, minha mente vagava pelos dias inesquecíveis que tínhamos vivenciado.

Como chegar no Saco do Mamanguá?

O acesso ao Saco do Mamanguá é sempre feito de barco por Paraty-mirim, e o trajeto leva 20 mins em lancha rápida ou 40 mins em barco de pescador. Também existe um acesso por trilha, mas deve ser feita apenas com guia. Em raros casos o acesso também pode ser feito por Paraty, caso a estrada de terra de Paraty-mirim esteja fechada por conta das chuvas (não tão raros no verão).

Para quem vai do Rio de Janeiro, o acesso à Paraty-mirim é feito pela Rio-Santos (BR-101) em aprox. 4:30h e 262km de distância. Não deixe de conhecer os deliciosos pastéis com massa artesanal do Bar do Chuveiro (na beira da Rio-Santos, km 502). Uma parada estratégica para esticar as pernas no meio do caminho.

Para quem vai de São Paulo para Paraty-Mirim, são 284km de distância pela Dutra (BR-116) e depois descendo a serra por Cunha, em pouco menos de 5h. Duas boas paradas estratégicas são o Tudo da Roça e o Moara Empório Café, ambos na SP-171, depois de sair da Dutra.

Onde estacionar o carro em Paraty-mirim?

Há vários estacionamentos. Recomendo o Estacionamento do Fabinho (dono do quiosque Ponto Certo). Aprox. R$ 15 – R$ 20 por dia.

Onde estacionar o carro em Paraty?

O barco deve sair do canal no Centro Histórico, então o ideal é o Estacionamento da Matriz, entre o canal e a Igreja da Matriz. R$ 20 por dia.

Quanto custa o barco para o Saco do Mamanguá?

O trajeto de Paraty-mirim para o Saco do Mamanguá é feito por barqueiros locais sob demanda, mas você também pode agendar o horário com antecedência através do seu hotel. O Refúgio Mamanguá já inclui este transfer no valor das diárias.

Paraty-mirim – Saco do Mamanguá: aprox. R$ 30 por pessoa (lancha rápida) e R$ 20 por pessoa (barco de pescador)

Paraty – Saco do Mamanguá: aprox. R$ 90 por pessoa (lancha rápida) e R$ 60 por pessoa (barco de pescador)

Onde se hospedar no Saco do Mamanguá?

O Saco do Mamanguá oferece poucas opções de hospedagem, mas isso não quer dizer que você não possa ficar com muito conforto! Além de pousadas e camping, no Mamanguá você também pode alugar uma casa. As casas podem ser encontradas também no site do Refúgio Mamanguá. Abaixo listo todas as opções.

LUXO:

Refúgio Mamanguá – Fica ao lado da Praia Grande. Diária aprox. R$ 600 por casal. Café da manhã e jantar inclusos. Uso de caiaque e canoa canadense liberados. Transfer de barco incluso (chegada e saída).

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Quarto do Refúgio de Mamanguá – Foto: Site Oficial

Confira mais informações sobre o hotel, preços e reservas clicando aqui.

Mamanguá Eco Lodge – Fica na Praia Grande. Diária aprox. R$ 600 por casal. Café da manhã e jantar inclusos. Uso de Stand Up Paddle e caiaque individual liberados.

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CUSTO-BENEFÍCIO:

Mamanguá Beach Hostel – Fica na Praia Grande. Quartos compartilhados (diária aprox. R$ 100 por pessoa) e privativos (diária aprox. R$ 350 por casal). Café da manhã incluso.

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ECONÔMICO:

Camping do Orlando – Fica na Vila do Cruzeiro. Tel. (24) 99916 3532. Diária aprox. R$ 30 por pessoa.

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Onde comer no Saco do Mamanguá?

Restaurante do Cruzeiro (Dona Roseli e Seu Maneco) – Fica na Vila do Cruzeiro. Restaurante simples, donos muito simpáticos, PF delicioso de peixe (cavala grelhado) R$ 30 por pessoa. Coco gelado R$ 7.

Restaurante do Zizinho – Fica depois da Praia Grande, remando em direção à entrada do Saco do Mamanguá. Restaurante simples, PF de lula R$ 40 por pessoa. Heineken gelada R$ 8. A lula à dorê é incrível e muito bem servida!

Restaurante do Orlando e Dona Maria – Não conhecemos. Fica na Vila do Cruzeiro, onde começa a trilha do Pico do Mamanguá.

Restaurante da Dona Gracinha – Não conhecemos, fica em uma vila de pescadores no fundo do Saco do Mamanguá. Precisa de reserva com antecedência e mínimo de 4 pessoas. Dizem ser muito bom!

Restaurante do Dadico – Restaurante conhecido, no meio do Saco do Mamanguá. Achamos caro e mal servido, não recomendamos.

Dicas Úteis:

  • Os hotéis e restaurantes não aceitam cartão de crédito nem débito. Alguns hotéis aceitam cheque. Não esqueça de levar todo o dinheiro necessário.
  • A energia elétrica chegou no Saco do Mamanguá em 2016 e ainda é precária. Ficamos uma noite sem luz, mesmo com tempo bom e céu estrelado. Lembre de levar as câmeras e celulares carregados e de carregá-los sempre que possível.
  • O sinal de celular é praticamente inexistente. Conseguimos um pouco de sinal da Vivo no alto do Pico do Mamanguá e na ponta do cais da pousada Refúgio Mamanguá.
  • Leve um repelente bom (que contenha Icaridina, substância que repele os piores mosquitos) e use durante o dia todo. Mesmo usando e abusando do meu, não consegui evitar várias picadas.
  • Leve tênis de caminhada para a trilha do Pico do Mamanguá e algum calçado que possa molhar para os passeios de canoa e cachoeira. Tenha sempre um bom protetor solar, boné, blusa dryfit com proteção UV, capa de chuva, lanterna, lanche e água.
  • Aproveite para conhecer o artesanato local. Compramos 2 lindos barquinhos de madeira de lembrança e cada um custou só R$ 10.

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Sobre o autor: 

Vitor Marigo é carioca, fotógrafo profissional, formado em publicidade e co-criador da empresa de turismo RioXtreme. Seu gosto por aventuras começou cedo, acostumado a acompanhar seu pai, um importante fotógrafo de natureza, em viagens Brasil e mundo afora. Hoje, contribuiu frequentemente para importantes exposições e publicações, e sua paixão é documentar as infinitas belezas naturais do nosso país.

Instagram: @vitormarigo