Sentir medo na hora de viajar sozinha é muito comum e o que não falta na internet são textos motivacionais que irão te deixar com vontade de viajar... mas e na prática, como faz? Com 10 anos de experiência viajando sozinha, uma mochileira de carteirinha vai te encher de dicas para embarcar em uma aventura com você mesma sem deixar que o medo fale mais alto que seus sonhos!

“Você não tem medo de viajar sozinha sendo uma mulher?”

Confesso que já perdi as contas de quantas vezes escutei essa pergunta nos últimos anos.
Também já não sei quando passei a responder “não” à essa pergunta com a maior naturalidade como se esse medo nunca tivesse existido em mim. Mas ele já existiu sim, e não foi de um dia pro outro que ele desapareceu.

Faz exatamente 10 anos que eu embarquei sozinha pela primeira vez. Apesar de ser bastante tempo, aquela pessoa que decidiu viajar sozinha pra Nova Zelândia com um baita nó na garganta que se desfez em lágrimas ao se dar conta de que não tinha ninguém conhecido lá do outro lado do mundo, parece estar há anos-luz de distância da pessoa que eu sou hoje. No entanto, o sentimento de enfrentar aquela barreira parece estar mais fresco na minha cabeça do que tentar lembrar o que eu comi no almoço ontem.

É normal ter medo e talvez se esse medo não existisse, se aventurar sozinha não seria tão incrível assim. Mas calma aí… incrível?! Por que você acha que viajar sozinha é tão incrível?
Será por que você quer se conhecer melhor?! Você gosta de conhecer novas pessoas?! Está procurando se desprender de certas coisas?! Quer se virar melhor por conta própria?! Por que você não encontra nenhuma companhia pra viajar contigo?! Ou você simplesmente quer ver “qualé” dessa ideia de viajar sozinha só porque dizem que é legal?!

Saber o motivo pelo qual você quer fazer isso é o primeiro passo para entender o motivo pelo qual você não toma coragem para fazer. Dificuldades e obstáculos todas nós temos, resta saber se sua vontade de ter essa experiência é maior que isso.
Viajar sozinha é o melhor e maior presente que uma mulher pode dar à ela mesma – veja bem, eu estou falando de mulheres aqui porque o post é sobre isso, mas não vamos ser sexistas já que esse presente seria igualmente grande se esta última frase estivesse no masculino e – homens – ter medo sendo homem é igualmente normal! 🙂

Bem, mas como estamos falando de medos e inseguranças e o que me motivou a escrever esta matéria foi o tanto de perguntas que eu recebo sobre isto, não haveria melhor forma de continuar o assunto se não com as próprias perguntas. Pra isso, pedi ajuda das minhas queridas seguidoras que andam com um pouquinho de medo de sair por aí desbravando esse mundão lindo na própria companhia e o resultado foi uma linda entrevista coletiva– então vamos lá!

viajar sozinha Foto: Patricia Schussel

O que fazer para não sentir medo?

[ dúvida da leitora Juliana Nascimento ]

Acho que o primeiro passo é tentar entender o seu sentimento e analisar se é medo mesmo ou se é uma insegurança natural com o que é desconhecido – é fundamental ser bem honesta com você nessa hora.
Depois disso, analise os fatos: Pra onde está indo viajar? É perigoso mesmo ou você não tem tanta certeza assim? Já conversou com alguém que foi? Será que se você mudar o destino vai fazer alguma diferença nesse medo que está sentindo? Você tem medo de algo que só poderia acontecer estando sozinha viajando ou de algo que poderia acontecer até na esquina da sua casa?

Quando fizer essa auto-análise, provavelmente você estará um pouco mais tranquila para os próximos passos, mas aí vem o principal… quem tem medo e insegurança (principalmente nós mulheres) vai querer conversar com alguém sobre isso – é fato! No entanto, é uma linha muito tênue entre abraçar a ideia de vez e desistir da viagem… se você, que quer viajar, se pega lutando contra seus pensamentos negativos, imagina aquela sua amiga que jamais faria isso e te acha uma louca por querer fazer?!
Pois é… conversar com pessoas que não te apoiariam é pior do que não conversar com ninguém, portanto selecione bem com quem vai falar sobre a ideia no início ou guarde pra você até que esteja 100% decidida e pronta pra ignorar os comentários negativos que virão – e, acredite, eles virão!
Pensamento positivo é a alma do negócio!

Qual a melhor e a pior parte de viajar sozinha?

[ dúvida da leitora Fernanda Ephigenio ]

Acredito que não existe melhor e pior parte simplesmente porque as pessoas são diferentes e, o que é bom pra mim, pode ser difícil de lidar pra você e vice-versa. O importante é encontrar um estilo de viagem que combine com você, atenda suas necessidades e respeite seus limites… se o mundo inteiro fosse igual, não teria a menor graça, né?! 🙂

Particularmente, acho que a melhor parte é o auto-conhecimento constante e intenso, e isso é algo que só viajar sozinha traz. Você se observa muito mais, entende o próprio comportamento, aprende com os próprios erros, experimenta mais coisas novas e passa a ter mais certeza do que te deixa feliz ou num tremendo mau humor. E, claro, a única pessoa que terá que aguentar seu mau humor é você mesma, então você também aprende a mudar isso rapidinho!

A pior parte, pra mim, é a maldita preguicinha, que é inevitável às vezes. Quando você está sozinha, não tem ninguém pra te motivar a sair pro bar quando está cansada de andar o dia inteiro, acordar às 5h da manhã pra ver o sol nascer, sair mais cedo pra aproveitar o dia, etc. Além disso, eu sou uma geminiana indecisa de carteirinha, não conheço ninguém mais difícil de fazer uma escolha do que eu, então isso é o que mais sinto falta quando viajo sozinha porque adoro quando alguém me ajuda a decidir a programação (uma pessoa com gostos parecidos com os meus, claro).

viajar sozinha Foto: Patricia Schussel

Como lidar com os receios da família e conhecidos?

[ dúvida da leitora Cristiane Marques ]

Ao contrário do que você possa pensar, eu tenho uma família um tanto tradicional e, apesar disso não fazer parte da minha realidade há um bom tempo, traçar este caminho não foi nada fácil e garanto que sei muito bem como é aquela história de “mas minha família não deixa...” – acredite, eu também passei por isso e se fosse escutar o que os outros falam, não teria nem saído de casa!

Eu sei, não é fácil… além de ter que enfrentar seus próprios medos, você ainda tem que lidar com o medo dos outros. Por mais que você seja uma mulher independente que faz o que bem entende com sua vida e seu dinheiro, é muito normal que a família tente intervir quando você fala que vai colocar um mochilão nas costas e viajar sozinha pra algum lugar e, por mais que eu odeie admitir, esta preocupação infelizmente está sim relacionada ao fato de você ser uma mulher.

A verdade é que ninguém vai fazer sua viagem por você e a única responsável pra fazer qualquer coisa se tornar realidade na sua vida é você mesma, então também não espere que todo mundo te apoie. Você está lendo isso porque tem medo de viajar sozinha assim como a grande maioria das pessoas e é por isso mesmo que muita gente (não só família, mas amigos, colegas de trabalho, qualquer pessoa) vai tentar te convencer do contrário usando qualquer desculpa que essas pessoas usariam pra elas mesmas. O importante nessa hora é conversar apenas com pessoas que possuem experiência em viajar sozinhas ou pessoas que costumam ter uma opinião mais aberta e menos baseada nos preconceitos que criamos sobre determinadas situações. Evite falar sobre o assunto com pessoas que você já sabe que terão uma tendência à negatividade – por maior que seja sua vontade de compartilhar suas ideias, lembre-se que uma opinião negativa não te ajudará em nada, pelo contrário, irá dificultar todo processo natural para enfrentar seus receios. Acho que essa é a parte mais difícil de lidar, mas é importante lembrar que o mesmo medo que você está tentando lidar dentro de você, é maior ainda dentro dos seus pais, por isso é fundamental entender este sentimento e conversar sobre isso.

Como se vestir? Eu preciso me parecer com o povo local em roupas e maneira de pensar?

[ dúvida da leitora Fernanda Ephigenio ]

De modo geral não, mas claro que algumas situações precisam ser respeitadas. Em lugares religiosos, países conservadores, lugares de cultura machista ou qualquer local que tenha costumes muito diferentes dos nossos, é fundamental se adaptar e ter o mínimo de bom senso para não se expor às situações de risco. Não adianta querer lutar por direitos iguais em uma cultura que não é a nossa… se você está aberta para conhecer novas culturas, também precisa estar aberta para aceitar as diferenças e respeitá-las.
Isso não significa que tenha que vestir um saree, uma burca ou qualquer vestimenta tradicional, a não ser que seja de uso obrigatório como em alguns países do Oriente Médio, entre outros. Basta ter um pouco de conhecimento sobre os costumes e é muito simples se vestir com suas próprias roupas de modo que não ofenda ninguém.

viajar sozinha Foto: Patricia Schussel

Como usar couchsurfing ou pegar caronas de forma segura?

[ dúvida da leitora Giulia Beatrice ]

Eu já dormi no sofá da casa de uma família porque eu não tinha onde dormir e fiz isso à moda antiga: batendo na porta e pedindo. Também já peguei muita carona com o dedão pra cima na estrada, mas hoje em dia diversas redes sociais e aplicativos de celular estão aí pra facilitar o processo e também torná-lo muito mais seguro.
O Couchsurfing é o mais popular destes meios e já usei bastante, sempre com ótimas experiências. Para se certificar da segurança, o site conta com um modelo onde cada perfil recebe avaliações de suas experiências prévias e estas avaliações podem ser positivas ou negativas. Com base nisso, basta procurar pessoas com diversas avaliações e ler todas as informações contidas no perfil, assim como fotos ou qualquer detalhe relevante. Também é importante deixar seu perfil bem completo para que seu host também analise seus detalhes, afinal, ele tem que decidir se vai te receber ou não.

Os aplicativos de caronas, tipo “Bla Bla Car” e “Tripda”, ou grupos de carona no facebook, também funcionam muito bem para facilitar sua vida e aumentar a segurança na hora de pegar carona. A diferença é que, ao contrário do bom e velho dedão pra cima, você paga ao motorista uma colaboração com a gasolina, que ainda assim deixa a viagem muito mais barata e rápida que com meios de transporte convencionais. Eu tive boas experiências todas as vezes que usei estes aplicativos e grupos de carona, o único “problema” que tive uma vez foi que o condutor atrasou mais de 2 horas do combinado e quis cobrar mais do que dizia no app no final da viagem, mas nem considero um problema porque eu simplesmente disse que ele deveria ter me informado antes e me recusei a pagar sem mais delongas (o cara era gente boa, foi só um contratempo).
Minha dica aqui é que também analise bem o perfil da pessoa e não deixe de confirmar o preço antes de fechar a carona pra evitar dor de cabeça.

Os pontos de encontro, tanto para caronas quanto para Couchsurfing, costumam ser sempre em locais públicos e movimentados. Se preferir, avise algum amigo ou familiar onde estará e com quem estará, para sua precaução, e se você achar a pessoa com comportamento suspeito, invente uma desculpa e caia fora!
Por outro lado, se está disposta a usar estes meios, lembre-se sempre que a confiança aqui é uma via de mão dupla então tenha cuidado para não ficar na defensiva… confiança é algo que se conquista e você precisa transmitir segurança para poder receber também. 🙂

viajar sozinha Foto: Patricia Schussel

Na hora de reservar um hostel, é arriscado pegar um quarto misto?

[ dúvida da leitora Jaqueline Morali ]

Bom, pelas minhas experiências, o único risco do quarto misto comparado com o quarto feminino é que tenha um bando de marmanjo roncando no teu ouvido! Hehe. Eu quase sempre opto por ficar em quarto misto pois costumam ser mais baratos e eu não tenho tanta dificuldade pra dormir, mas prefiro o feminino por poder ficar mais à vontade, me trocar no quarto e também por ser mais silencioso durante a noite.
Quanto à risco de assédio, eu nunca passei por nada parecido, nem perto disso, e também não conheço ninguém que já tenha passado. As pessoas que ficam em hosteis, de modo geral, estão bem acostumadas a compartilhar quarto com pessoas de outro sexo e isso não tem nada de malicioso. O máximo que me aconteceu foram pequenos transtornos com pessoas inconvenientes que perturbaram porque tinham bebido além da conta.

Embora eu ache muito pouco provável que isso aconteça, é sempre bom ficar atenta. Caso você sinta algum clima estranho ou tenha algum tipo de assédio, não tenha dó em soltar a voz e vá imediatamente até a recepção pedir para trocar de quarto ou, se for grave, pedir para expulsar a pessoa do seu quarto. Isso é parte primordial da segurança de um hostel e eles deverão te ajudar com isso, caso algo real aconteça. Também é bacana sempre ler as avaliações do hostel antes de agendar sua estadia, pois é onde você vai descobrir qualquer caso do tipo, assim como segurança de modo geral.

Existem países que todos sabemos que são perigosos. Quais são suas estratégias para se manter segura nesses lugares?

[ dúvida da leitora Ana Claudia Souza Cruz ]

Eu vivi cerca de 2 anos na Índia e fui sozinha pra lá esse ano novamente. Posso garantir que, de longe, a pergunta que mais recebo é a respeito de ser uma mulher viajando em um país tão conservador.

Eu não considero a Índia um país nenhum pouco perigoso, principalmente quando comparamos com o Brasil, mas por algum motivo todos pensam que é um dos lugares mais inseguros do mundo para mulheres. Digo isso porque acho que o primeiro passo é tentar conversar com pessoas que conhecem bem, vivem ou já viveram no país que você vai pra que você entenda qual é a realidade por lá, e não apenas se baseie no que alguns turistas falam superficialmente ou o que se vê na mídia. Convenhamos: se você quer dar um Google em algo perigoso, é só dar um Google no Brasil! A diferença é que infelizmente a gente se “acostuma” com a nossa violência e o que acontece lá fora soa muito mais horrível do que as notícias absurdas do nosso cotidiano.
A Índia, por exemplo, não é um país machista como o Brasil e a maioria dos países da América Latina, a questão com a mulher lá é muito mais de proteção do que de repressão e, claro, isso também gera muito mais pudor. Entendendo isso, é mais fácil lidar com as diferenças culturais que você irá presenciar e também mais fácil de tomar os devidos cuidados.

Seja perigoso ou não, o importante é ter essa consciência e entender que, quando se trata de países conservadores, você estará em uma cultura diferente onde irá chamar atenção mesmo que esteja vestida adequadamente, então é legal evitar mais atenção ainda usando roupas provocantes ou fazendo algo em público que não é do costume do país. Também é fundamental analisar o comportamento local e não fugir muito da curva: se você não vê mulheres andando sozinhas depois de um certo horário, deve ter um motivo, então procure respeitar essas “regras básicas” de cada lugar e dificilmente terá problemas – é o famoso ditado “dançar conforme a música”!

viajar sozinha Foto: Patricia Schussel

Você já passou por alguma situação desagradável por ser mulher, tipo assédio masculino, tentativa de sequestro ou outras situações que tenham colocado sua integridade física em risco? Se sim, o que você fez?

[ dúvida da leitora Jaqueline Morali ]

Para o tanto que eu viajo e os tipos de viagem que eu já me meti (já peguei carona na beira da estrada com muitos caminhoneiros e dormi em muito lugar bizarro), acho que passei por pouquíssimas situações do tipo e eu consegui lidar sem que nada grave acontecesse.
A pior de todas as vezes, por sinal, foi aqui mesmo no Brasil há muitos anos atrás em uma viagem corriqueira de final de semana em que eu fui visitar meus pais, antes mesmo de eu começar a viajar sozinha por ai – só pra você perceber que não precisa cometer nenhuma loucura pra estar sujeita à esse tipo de situação. Eu estava no último assento do ônibus e fui acordada com o cara da frente metendo a mão no meio das minhas pernas… acordei tão desesperada que nem pensei duas vezes: enchi a mão na cara dele e gritei bem alto que eu ia fazer um escândalo se ele encostasse em mim de novo. Foi horrível e eu passei a noite inteira acordada porque não conseguia mais relaxar, mas por sorte nada mais aconteceu.

Quando eu morava na Índia, aconteceram algumas situações bem constrangedoras, mas nada sério, e eu tive a mesma atitude de gritar e mostrar minha indignação.

Eu luto tanto pra que as mulheres percam este medo relacionado à viagens justamente porque todas as situações mais traumáticas que eu tive na vida aconteceram enquanto eu estava tendo uma rotina normal aqui no Brasil. Não estou dizendo que nada de ruim acontece quando se está viajando, claro que não, mas infelizmente nós estamos “acostumadas” a um tipo muito pior de violência no dia a dia e é justamente esse medo que acaba nos privando de vivermos nossos sonhos… é triste, mas a verdade é que não precisamos ir longe pra estarmos sujeitas à qualquer tipo de violência.

Mulher pode ir sozinha pra balada? Qual a melhor forma para estar em segurança à noite, caso decida sair?

[ dúvida da leitora Bruna Vogel ]

Uma grande vantagem de viajar sozinha é estar muito mais aberta para conhecer pessoas (se você for tímida, se faça de louca e pense que ninguém te conhece mesmo, haha), então meu conselho seria para tentar se juntar às outras pessoas, preferencialmente que estejam na mesma pegada que você. Se tiver outras mulheres, melhor ainda!

Hospedar-se em hostel é a maneira mais fácil de fazer isso, mas eu também já usei Couchsurfing para sair com pessoas locais – é seguro e normalmente é bem legal! Também é muito comum usar aplicativos de relacionamento para isso e as pessoas até escrevem na descrição que só querem amizade e parceria pra sair.
Claro que, tanto no Couchsurfing como em Apps de relacionamento, é fundamental ter bom senso, conversar e analisar se há algo estranho antes de encontrar com a pessoa, mas de forma geral, eu acho super seguro, já usei bastante e nunca tive absolutamente nenhum problema.
As cidades que oferecem Pub Crawl também são uma alternativa, mas eu particularmente não sou muito fã porque a intenção é sempre exagerar na bebida e perder o dia seguinte por causa da ressaca.
Se você não encontrar nenhuma das opções, garanto que não vai ficar muito tempo sozinha no bar/balada até alguém vir puxar papo contigo! 🙂

viajar sozinha Foto: Patricia Schussel

Quanto à segurança, claro que mulher pode ir sozinha pra balada (e deve!), mas como isso provavelmente estará ligado ao consumo de bebidas alcoólicas, é extremamente importante que você conheça seu comportamento quando ingere álcool. Digo isso porque algumas pessoas não sabem ou não respeitam seus limites e, se você for dessas que perdem a memória ou a noção, aí sim acho super perigoso e aconselho que não beba se estiver sozinha. Lembre-se que se estiver sozinha na balada, não terá ninguém pra cuidar de você e estará lidando com pessoas bêbadas que normalmente não são confiáveis. Evite ir sozinha ou tenha o triplo de cuidado em lugares mais pesados onde é comum o turismo sexual ou o uso excessivo de drogas – isso existe e com certeza você vai perceber se estiver em um lugar assim.

É claro que tudo depende muito do lugar onde está viajando e que tipo de festas você gosta. Sair para festas mais alternativas onde as pessoas costumam ser mais tranquilas e sociáveis, ajuda bastante!

Você acha que existe algum lugar mais recomendado (ou não recomendado) para uma primeira viagem sozinha?

[ dúvida da leitora Fernanda Melo ]

Depende muito do tamanho da sua insegurança, quais são seus medos e se você prefere enfrentar isso em doses homeopáticas ou está disposta a se jogar de vez numa aventura.
– Se tem medo de sofrer algum assédio ou violência física, seria interessante não começar por países mais conservadores ou cidades nacionais com índice muito alto de violência. Prefira praias pequenas ou destinos serranos, de preferência onde você esteja um pouco familiarizada com a cultura local, até quebrar este tabu e explorar novas culturas.
– Se está receosa só porque não fala outro idioma, comece explorando o Brasil ou países vizinhos como Argentina e Uruguai, onde a comunicação será mais fácil.
– Se tem medo de sentir-se solitária, a melhor opção é procurar um destino com muitos mochileiros e fugir dos destinos para casais.
– Se você se sente insegura por ser muito tímida, indicaria destinos “hippongas” onde as pessoas são mais abertas e carismáticas, ou então as regiões Norte e Nordeste do Brasil, que com certeza não irão decepcionar.

É possível viajar sozinha para fora do brasil sem falar, pelo menos, o inglês? Como você lida com a diferença de idioma em um país que você não conhece a língua?

[ dúvida das leitoras Bruna Vogel e Larissa Cabral ]

Claro que é possível! 🙂 Eu nunca tive vergonha de soltar a língua, mas já viajei para países como a China onde me senti uma completa analfabeta (esse não será seu caso com o inglês com certeza) e foi possível sim, mesmo com muitas dificuldades.
Na China, por exemplo, é imprescindível sair sempre com um papel escrito em chinês o endereço para onde quer ir e para onde precisa voltar, assim como qualquer outro detalhe relevante. Há poucos dias, eu peguei uma carona de 10 horas de viagem com uma família ucraniana que não falava uma palavra de inglês… conversamos a viagem inteira por meio de mímicas, palavras soltas ou o tradutor do celular, hehe. Acabou sendo super engraçado e me rendeu boas lembranças! Claro que levar isso com bom humor é super importante pra não se estressar!

Eu não vou negar que na maioria dos países sua vida será muito mais fácil falando o mínimo de inglês ou mesmo espanhol, mas acho que, muito mais importante que dominar outro idioma, é saber se comunicar. Diria que é mais difícil para pessoas extremamente tímidas do que para quem só fala português, afinal, quando você precisa de uma informação, é muito mais eficaz tentar perguntar com mímicas do que não perguntar nada e tentar adivinhar o que fazer.

Além disso, não existe melhor maneira de dominar outro idioma se não viajando sozinha, porque aí não terá ninguém pra fazer aquilo por você e será obrigada a sair da zona de conforto e se virar! 😉

viajar sozinha Foto: Patricia Schussel

Que dicas você dá para as mulheres que não viajam sozinhas por medo de sentirem-se solitárias?

[ dúvida da leitora Fernanda Melo ]

O ser humano tem um receio natural de estar sozinho, exceto por algumas pessoas mais introspectivas que conseguem curtir a solidão. Acredite, esse não é o meu caso porque eu realmente amo ter companhia pra quase tudo, mas nem por isso eu deixo de sair por aí.

Viajar sozinha é muito diferente de estar sozinha ou sentir-se sozinha. Em todas as minhas viagens longas, eu não consigo me lembrar de mais de 2 dias consecutivos sem ter uma companhia, e um fato curioso é que meus melhores amigos hoje em dia, são pessoas que eu conheci em alguma situação inusitada viajando.

Acompanhada, você não sai tanto da sua zona de conforto por maior que seja a aventura que vai se meter. Nossa maior zona de conforto está no fato de ter alguém ao lado e eu percebo isso porque, quando estou viajando com alguém e tenho que sair sozinha um dia, me sinto muito mais insegura e até solitária do que quando estou viajando por conta própria desde o início.

Agora, se sua preocupação for ainda maior e não quiser arriscar, opte por destinos populares entre mochileiros e tente ir em alta temporada e posso apostar que esse sentimento de solidão não vai nem passar perto de você! Ah! E evite lugares famosos para casais e destinos de lua de mel.

viajar sozinha Foto: Patricia Schussel

Quais conselhos você dá, na prática, para uma mulher viajando sozinha?
Quais os cuidados que devem ser tomados e os cuidados que você procura ter?

[ dúvida da leitora Ana Claudia Souza Cruz e Fernanda Melo]

Manter-se positiva é o segredo pra tudo! Se você tiver um dia ruim durante sua viagem, não fique pensando no que passou e canalize sua energia no que fazer pra mudar esse clima e virar a página, afinal, você não quer estragar o resto da viagem e negatividade só atrai coisas negativas.
Se estiver disposta a viajar sozinha, então confie sem medo nas pessoas boas que encontrar pelo caminho (serão muitas, pode ter certeza), pois estes serão seus novos amigos, sua nova família, novos amores e também podem te ajudar se algo ruim acontecer… se você não confiar que dará tudo certo e não confiar nas pessoas, sua experiência não será completa e garanto que tudo será mais difícil, no entanto, é importante confiar sem ser ingênua e sempre levando em conta que está sozinha e precisa ter limites e responsabilidades com você mesma.

Pode parecer meio utópico, mas um dos maiores cuidados que eu tomo é escutar minha intuição. Eu sou uma pessoa bem sensitiva então acho que isso ajuda, e se você também for dessas que costumam sentir a presença de uma energia negativa, confie nisso e caia fora. Mas claro que você não pode contar somente com isso e tomar todos os cuidados básicos são fundamentais – precauções que você também teria em sua rotina normal, só com um pouco mais de atenção por estar lidando com uma cultura diferente e um local que não conhece… e se tua intuição não for das melhores, tenha o triplo de atenção e malícia em qualquer situação. Aliás, atenção nunca é demais!

Sempre que puder e quiser, tente se juntar à outros viajantes. De modo geral, é mais fácil se juntar quando você vê alguém também viajando sozinha(o) ou duas pessoas que não sejam um casal. Pessoas de mochilão também tendem a estar muito mais abertas do que pessoas carregando malas, mas isso é uma forma bem genérica de analisar – no começo você erra um pouco, mas depois de um tempo você desenvolve um “radar” para cada tipo de viajante, hehe. O que faço normalmente é pedir uma informação e aí sinto quão aberto eles estão e a coisa vai rolando naturalmente. Ah!! Sorrir é essencial! 🙂
Grupos grandes de amigos da mesma nacionalidade fazendo uma algazarra são sempre os piores – eu nem perderia meu tempo porque eles nunca estão interessados em “adotar” mais uma pro grupo e são mais difíceis de confiar também porque normalmente não são viajantes, são só um grupo de férias que não estão nem aí pra nada. Você com certeza já fez parte de um desses grupos e sabe como é, quem nunca?!

E por último, mas não menos importante: procure falar para sua família ou pessoas mais próximas onde você está e o que pretende fazer nos próximos dias, e comunique-se com uma certa frequência para que as pessoas percebam se houver algo anormal acontecendo.

viajar sozinha Foto: Patricia Schussel

O primeiro passo é sempre o mais difícil, mas é o único jeito de alcançar o segundo!

Viajar sozinha não é nenhum bicho de 7 cabeças, você vai ver! Confesso que fiquei bastante surpresa com a variedade de perguntas que recebi pra essa matéria com apelos totalmente diferentes, e espero em breve receber o dobro de mensagens, mas dessa vez dizendo que vocês perceberam que, no fundo, no fundo, esse papo todo não tem mistério algum!

E enquanto espero essas novas mensagens chegarem, eu fico por aqui… ou será que ainda ficou alguma dúvida?!
Bote seus medos pra fora aqui nos comentários! Você vai ver que não está sozinha e eu vou adorar saber se consegui ajudar! 🙂

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