O arquipélago ainda pouco explorado de San Blas, no Panamá, oferece uma ilha para cada dia do ano, mas a falta de estrutura requer atenção dos turistas. Veja aqui como é visitar esse paraíso panamenho.

Apesar de possuir mais de 365 ilhas, o arquipélago de San Blas, no Panamá, ainda é um destino exótico para os turistas. Isso se deve, inclusive, às dificuldades de acesso, diferente da turística Bocas del Toro, pois é tudo muito rústico e limitado.

Eu e a @clarissamrj, também colunista do Mochilando, fizemos uma viagem fantástica à Jamaica (você pode ler sobre ela aqui) e como tínhamos conexão na Cidade do Panamá resolvemos aproveitar a ocasião e ficar uns dias no país.

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san blas, no panama Foto: Barbara Tigre

Depois de pesquisar um pouco na internet acabamos optando pelo pacote oferecido pela agência Panamá Travel Unlimited  para visitar San Blas, que incluiu:

– Transporte 4×4 desde nosso hotel até o porto de Carti (ida-e-volta). Saímos por volta de 5 a.m. e na volta chegamos pela tarde.
– Barco entre Carti e a ilha que escolhemos, Kuanidup (em alguns lugares escrevem “Guanidup”).
– Três (3) refeições por dia: café da manhã, almoço e jantar.
– Ao menos 1 passeio por dia dentre as opções tinham a Isla Perro, Pelicano e Estrella.
– Acomodação em cabana dupla com banheiro compartilhado (#foichatoisso).

Não estavam incluídos no pacote:

– US$ 12 de taxas ($10 na estrada e $2 no porto onde se pega o barco à ilha)
– US$ 3 de entrada para a Isla Perro (por pessoa) e o mesmo para outras ilhas de passeios
– Água, bebidas e lanches (é altamente recomendável levar biscoitos e água potável)
– Toalhas de Praia

O preço, em 2014, foi de US$ 160 por pessoa por noite. Hoje com o câmbio esse valor parece bastante salgado mas na época foi razoável considerando toda a logística de deslocamento envolvida. Ah, é importante lembrar que é necessário levar o Passaporte (original, cópias não são aceitas) pois há uma um controle da Polícia na estrada para o porto que leva à San Blas. Nós fizemos o pagamento via internet, através do Paguelo Facil, uma versão panamenha do nosso PagSeguro.

Tudo ocorreu como previsto no trajeto até Carti: o nosso 4×4 chegou pontualmente na hora marcada e fizemos uma breve pausa no supermercado antes de pegar a estrada para que nós turistas pudéssemos comprar garrafas de água e lanches.

A estrada é meio ruim, uma das pessoas no nosso carro passou mal e tivemos que parar para que ela pudesse “respirar mais ar” (e vomitar, sorry #toomuchinformation). Chegando no porto de Carti os turistas são agrupados de acordo com a ilha de destino e ficam esperando até que os chamem para seus respectivos barcos.

Em Carti não tem absolutamente nada, só um banheiro bem precário e alguns bancos onde pacientemente sentamos. Ali você começa a ter uma noção da desorganização intrínseca à viagem, ou melhor, você começa a ter noção que nada depende de você. Basicamente o seu barco só vai sair quando os índios que vão te levar até a sua ilha quiserem. Isso mesmo, você fica lá esperando (esperamos horas) sem ter informação alguma precisa até que finalmente chega a sua vez.

Logo no inicio do trajeto de barco nos deparamos com uma imagem triste, feia mesmo, da realidade panamenha: vimos ilhas super povoadas com aspecto de favelas, sujas e com lixo na água. Paramos em uma para abastecer o barco e continuamos rumo às ilhas mais longe, onde o paraíso ainda se encontra preservado.

san blas, no panama Foto: Barbara Tigre

A forte primeira impressão!

Depois do longo percurso enfim chegamos em Kuanidup: a imagem era de tirar o fôlego, águas cristalinas e uma ilha deserta, todinha para gente. No dia em que chegamos um grupo de brasileiros barulhentos estava indo embora (benzadeus heim) e ficou apenas eu, a Clarissa, e um casal de argentinos muito gente boa! Além dos índios locais (os “kuna”), claro. Á água estava uma delícia, com temperatura perfeita (nem quente nem fria) e ainda tinham redes para a gente descansar depois do mergulho. Quer mais o quer da vida?

san blas, no panama Foto: Barbara Tigre

As cabanas são exatamente o que eu imaginava quando li “cabana”, algo bem rústico em estilo oca. Com o “chão” de areia e uma porta que mal fechava, além de um colchão bem marromenos nas camas. Apesar de parecer cenário de filme de terror era tudo muito confiável e em momento algum tive a impressão de insegurança. Os banheiros ficavam do lado de fora, eram razoavelmente limpos e a única coisa meio chata era que a luz quase não funcionava, por isso é importante levar uma lanterna. Aliás, lá, obviamente, não tem tomadas então baterias extras para aparelhos celulares e câmaras fotográficas são mais do que bem vindas.

san blas, no panama Foto: Barbara Tigre

No jantar tivemos a grata surpresa de saber que os índios haviam pescado lagosta, foi tudo uma delicia e em quantidade suficiente. A noite não tem absolutamente nada para fazer então ficávamos jogando com os índios e o casal de argentinos e lá para as 22h, no máximo, íamos dormir. Depois dessa excelente primeira impressão nós fomos recordadas de que tudo depende da boa vontade dos índios: nosso café da manhã consistiu em uma fatia de pão e UM ovo mexido. Ah, acho que tinha uma batata ou algo assim #cricri #salveolanchinho. A argentina ficou a ver navios esperando um doce de leite hahahah

Após o café fui falar com os índios indicando os passeios que nós gostaríamos de fazer: Isla Perro em um dia, e Isla Estrella em outro. O índio disse que eu precisava falar com o “chefe” deles, um índio mais velho e responsável por tudo que envolve algum dinheiro na ilha. Ele me disse que era possível fazer essas duas visitas e me mandou ir esperar. Precisei ir perguntar 3x que horas nós iríamos sair para algum dos passeios até que ele disse “podemos ir agora”. Gente, não tem jeito, tem que ir sem pressa e com muita paciência ao visitar San Blas para aceitar que eles fazem o que querem quando querem.

Visitamos no primeiro dia a Isla Perro (ou Perro chico), muito conhecida por ter um barco afundado que virou coral. É uma ilha mais conhecida, onde a maioria das pessoas visita para passeio pois tem um bar com música alta e vive cheia de turistas. Mesmo assim valeu muito a pena, fazer snorkel por lá é muito lindo, adoramos!

san blas, no panama Foto: Barbara Tigre

Isla Perro

A outra ilha que visitamos foi a chamada Estrella, que leva esse nome porque existem muitas estrelas do mar por lá, muitas mesmo. É uma ilha mais precária, vazia, e com apenas um Kuna responsável, um velhinho pescador que passa o dia lá cobrando as entradas e vendendo bebidas e depois volta para “casa” em outra ilha.

san blas, no panama Foto: Barbara Tigre

Isla Estrella

Ficamos esses dois dias em San Blas e acho que com o esforço do acesso teria sido mais válido ficar um dia a mais e visitar outra ilha. Como é tudo muito precário e não há nada para fazer acho que não conseguiria ficar mais que três dias por lá. No fim das contas, a experiência de visitar San Blas valeu e muito! E, você, tá preparado para viver essa experiência em San Blás, no Panamá? 😛

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